Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 12/01/2021
Com o advento da Terceira Revolução Industrial, ocorrida desde o século XX, a internet e o acesso à tecnologia tornou-se algo comum na vida de todos. Paralelamente, esse cenário não se distancia da realidade brasileira, visto que a era digital é inerente aos cidadãos do país. No entanto, tamanha dependência digital, ocasionada pela falta de educação tecnológica, gera inúmeros impasses sociais, principalmente a respeito de segregação e isolamento, aos jovens na contemporaneidade.
Em primeira análise, vale ressaltar que a dependência digital, juntamente com o uso irresponsável das redes sociais, pode trazer danos irreversíveis aos jovens desavisados dos perigos da internet. Dessa forma, consoante o filósofo contratualista Pierre Bourdieu, o que foi criado como mecanismo de democracia transformou-se em instrumento de opressão, cabendo ao Estado a restauração do objetivo democrático desse mecanismo. Em contrapartida, não é possível identificar a efetivação dessa restauração, visto que a ausência de uma educação tecnológica mostra a não problematização da temática por parte do poder estatal.
Outrossim, o uso desenfreado de conteúdos e plataformas virtuais traz consigo uma segregação e isolamento social que prejudica diretamente na formação do cidadão. Desse modo, de acordo com o ocorrido no filme americano “Jogador Nº 1” - no qual o personagem principal, Wade, assim como todos ao seu redor, veem-se dependentes de uma realidade virtual, deixando suas vidas reais de lado para dedicarem-se exclusivamente ao irreal - a sociedade, acreditando que as redes sociais unem as pessoas, dividem-se em grupos cada vez menores e exclusivos. Logo, essa atitude segregacionista acarreta não só em isolamento social, mas também na impossibilidade da construção da sociedade como uma unidade democrática disposta a debater sobre os seus problemas e possíveis soluções.
Portanto, medidas para o combate ao vício digital faz-se necessárias por parte do Estado. Ademais, cabe ao Ministério da Educação tornar acessível o conhecimento virtual em falta no país, por meio de um programa educacional que traga a educação digital como aula extracurricular - por intermédio de palestras com psicólogos e estudiosos da área tecnológica, juntamente com aulas e seminários interativos sobre a temática de uso responsável da internet. Assim, com a finalidade de alertar os jovens dos perigos virtuais hoje e evitar uma maior segregação social deles amanhã, o mecanismo democrático criado na Terceira Revolução Industrial poderá ser utilizado para o seu objetivo primordial.