Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 12/01/2021
No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o advento das novas tecnologias, por exemplo, fomenta posturas à margem da democracia. Nesse viés, a dependência digital dos jovens, na contemporaneidade, representa ainda enormes desafios. Pode-se dizer, então, que a tênue ação estatal e o individualismo do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.
Primeiramente, ressalta-se a inoperância governamental para combater indução ao consumo de internet. Segundo o pensamento hobbesiano, o Estado é encarregado por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à negligência das autoridades, de acordo com o jornal “O Globo”, as propagandas de eventos e produtos cibernéticos propiciaram o uso excessivo e vicioso de computadores. Dessa forma, geram-se condições favoráreis ao surgimento de doenças psicossomáticas, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à integridade psíquica, são ameaçados.
Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um princípio fundamental da filosofia marxista, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em análise realizada pela revista “Exame”, verificou-se que os investimentos privados, destinados a atividades econômicas causadoras da dependência digital, apresentaram altas abruptas nos últimos anos, tendo em vista a alta rentabilidade do setor. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes conceitos filosóficos, culturalmente consagrados, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.
Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a gênese de leis que mitiguem o consumo exacerbado das tecnologias, a fim de assegurar a saúde e o direito à vitalidade mental. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores a encerrarem o financiamento descabido a métodos sórdidos de enriquecimento, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar um ambiente justo e saudável. Assim, obter-se-ão os requisitos indispensáveis à restauração da soberania civil.