Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 14/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que a dependência digital dos jovens destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Esse cenário tem sua origem na falta de orientação e possui impactos negativos na saúde. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.
Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que orientem a respeito dos vícios tecnológicos. Nesse sentido, a timidez excessiva, a dificuldade de se relacionar pessoalmente e a falta de limites impostos pelos pais agravam o panorama, haja vista que muitos adolescentes enxergam o mundo virtual como uma válvula de escape da realidade que os circunscreve. Sob essa perspectiva, o educador Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. Desse modo, nota-se a importância da educação para orientar os jovens e evitar a dependência tecnológica.
Ademais, a obsessão pelo prazer que o mundo virtual proporciona afeta a saúde física e mental dos jovens. Nessa lógica, o vício digital pode resultar em isolamento social, sedentarismo, falta de cuidados com a higiene pessoal e até transtornos psicológicos, como depressão. Nesse contexto, segundo o sociólogo Émile Durkhein, a sociedade deveria funcionar de maneira análoga a um organismo biológico, no qual as partes interagem harmonicamente entre si. Entretanto, nota-se que o país ainda está distante dessa realidade, visto que a dependência tecnológica prejudica a integração social dos indivíduos no mundo real. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Destarte, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de oficinas pedagógicas, discussões engajadas e palestras, possua como finalidade trazer mais lucidez sobre os malefícios da dependência digital entre os jovens. Esses eventos devem contemplar a educação básica, contar com a presença de profissionais especialistas no assunto e é essencial que os familiares dos estudantes sejam convidados a participar. Assim, essa medida possibilitará a concretização de transformações desejáveis na realidade brasileira.