Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

A partir da segunda metade do século XX, com o advento da Revolução Técnico-Científica, somado às mudanças nas dinâmicas sociais - como o ingresso da mulher no mercado de trabalho - e à crescente violência urbana, a busca por refúgio nas tecnologias digitais como celulares e videogames ascende progressivamente, principalmente, entre o público jovem. Entretanto, o uso em excesso desses aparelhos tem sido banalizado na sociedade e, por isso, convém analisarmos as causas e consequências implicadas nesse fenômeno para a juventude.

Nesse contexto, é necessário destacar a crescente permissividade dos responsáveis pelos jovens quanto ao uso abusivo desses equipamentos. Isso porque, com as alterações da vida moderna, como o excesso do trabalho em função dos altos custos de vida e o sentimento generalizado de insegurança - principalmente, nas grandes metrópoles como Rio de Janeiro e Fortaleza, que possuem altos índices de violência -, o tempo a ser destinado à presença em casa e atividades de lazer ficou comprometido, além da preferência pela segurança de não sair de casa. Diante disso, é possível notar a inserção das tecnologias digitais cada vez mais cedo no indivíduo, como um método de distração e substituição de outras atividades que demandam esforços e tempo da família, podendo, dessa forma, gerar ,desde a infância, a dependência do uso desses aparelhos, motivo pelo qual diversos países possuem limites de horas de utilização para esse público, como a China.

Além disso, cabe ressaltar os fatores físicos e psicológicos ligados ao uso excessivo dessas tecnologias. Sob esse aspecto, a Organização Mundial da Saúde, na sua pauta sobre essa questão, afirma que a dependência digital dos jovens impacta negativamente todo o seu desenvolvimento pessoal, com danos que podem ser mecânicos - como a Lesão por Esforço Repetitivo nos dedos pelo uso do celular, por exemplo - e mentais, como favorecimento do surgimento de transtornos de ansiedade e depressão, comuns em comportamentos de adictos. Logo, fica exposta a urgência de medidas estatais para reverter a situação atual de banalização do vício.

Desse modo, o Ministério da Educação, em conjunto com empresas de tecnologias de celulares e jogos, deve desenvolver um programa de limites de horas usadas nos aparelhos de acordo com cada faixa etária, por meio da criação de uma equipe técnica especializada, com a finalidade de reduzir os danos causados pelo excesso e evitar a dependência. Além disso, a mesma ação precisa formular campanhas educadoras para a família, buscando informar sobre medidas de controle e opções além da tecnologia, buscando, com isso, garantir um crescimento plenamente saudável dessa população.