Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 16/01/2021
Difração
Sob a ótica do filósofo Sartre, a liberdade é intrínseca ao homem. Todavia, o meio digital é antagônico a este postulado filosófico, dado que, a vontade de pertencimento nas tribos virtuais e uma lógica cosnumidora atrativa torna o ser humano acorrentado ao uso exacerbado de dispositivos tecnológicos. Dessa forma, é fundamental discutir os elementos que nutrem esse vício abusivo.
Deve-se pontuar, de início, a reprodução irrefletida de comportamentos para fazer parte de uma comunidade. Na Idade Antiga havia a formação de tribos, que eram essenciais para a proteção e cuidado com a comunidade. Essa realidade reflete ao panorama hodierno, pois os indivíduos necessitam estar imersos em redes de comunicação virtual para ter um sentimento de pertencimento. Nesse cenário, há a criação de uma pressão social para estar sempre presente no espaço digital, o que acarreta na dificuldade de desenvolvimento de habilidades sociais e o convívio humano.
Outrossim, além de fatores da coletividade, o mercado consumidor gera um ambiente pernicioso na questão digital. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, na atualidade existe um raciocínio que valoriza a produção de novidades de produtos para o consumo constante. Dentro dessa lógica, os conglomerados digitais lançam aparelhos de forma contínua com aparatos midiáticos que tornam as mercadorias como sinônimo de felicidade. Sendo assim, a compra desses equipamentos cresce em conjunto com a dependência virtual e com a consequente amplificação de doenças físicas e emocionais referentes á tecnologia, como dores na coluna e ansiedade.
Fica nítido, portanto, que em sentido oposto ao de Sartre, a liberdade não está presente em um arcabouço digital que constroi dependência por meio de uma pressão social e rede de consumo nociva. Nesse prisma, é vital que o Ministério da Educação arquitete projetos nas escolas, com palestras e dinâmicas em grupo, que propague a relevância da realidade física para a formação de características comunicacionais a fim de evitar o uso excessivo de aparelhos tecnológicos. Ademais, que a mídia televisiva e plataformas de streaming criem séries e documentários que alertem os perigos do consumo exarcebado e o consecutivo vício aos dispositivos eletrônicos para arrefecer os problemas físicos e mentais que essa utilização exorbitante pode causar. Com esses atos, o ocorrerá a difração, termo da física referente a ultrapassar obstáculos, da compulsão virtual para um bem-estar saudável.