Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 02/02/2021
No filme “Wall-E”, produzido pela Pixar Studios, é projetado um futuro distópico, no qual os indivíduos adquirem um cotidiano baseado na submissão exacerbada à tecnologia, o que, paulatinamente, acarreta danos ao corpo social, tais como a obesidade e o isolamento. Fora da ficção, hodiernamente, ao observar o gritante estado de dependência digital na classe juvenil, constata-se que, de modo paralelo ao cenário supracitado, são advindas problemáticas e entraves à coletividade. Por isso, graças à realidade ilusória e, por conseguinte disso, ao domínio social trazidos pela tecnologia, o vício digital na juventude provém obstáculos à sociedade.
Em primeiro plano, a falsa sensação de liberdade contemplada no campo tecnológico agrava o quadro. Nesse sentido, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o corpo social pós-moderno vivencia um episódio de realidade ilusória, no qual a tecnologia apresenta um estado de autonomia irreal ao indivíduo, em que as informações se tornam acessíveis ao público, porém, são abertas portas a manobras de domínio. Dessa maneira, a juventude se prende na “bolha” digital, espaço no qual há uma sensação de independência e liberdade, mas, na verdade, se revela como uma área a que os jovens foram externamente submetidos e que representa a zona de conforto juvenil, o que os mantêm submissos. Logo, devido à autossuficiência artificial da tecnologia, como redigido por Zygmunt Bauman, a juventude se vê dependente desta.
Ademais, é imperioso abordar como a manipulação social é tida como uma consequência do impasse. Nesse viés, o “Mito da caverna”, livro redigido por Platão, filósofo grego, denota os indivíduos que, afastados na veracidade, vivem na ignorância, o que corrobora o controle destes. Sob essa óptica, no instante em que os jovens são aprisionados na liberdade ilusória presente na “bolha” digital, são distanciados da realidade, fator que faz com que o domínio da sociedade se faça presente e faz com que a classe juvenil, uma vez dependente da do campo virtual, esteja fadada à manipulação. Assim, graças aos obstáculos trazidos pela problemática, são necessárias medidas governamentais de intervenção.
Depreende-se, portanto, que a dependência digital dos jovens na sociedade hodierna é tida como um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado deve, por meio de campanhas colaborativas com famílias, nas quais hajam palestras que debatam o tema da submissão tecnológica, incentivar a substituição do vício virtual por atividades benéficas, tais como exercícios frequentes, a fim de atenuar o estado submisso da juventude perante à tecnologia e, consequentemente, evitar um futuro distópico e precário, tal como visto na obra cinematográfica “Wall-E”.