Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 11/03/2021
Conforme os dados de um estudo da Universidade Técnica de Ambato, há uma grande incidência de nomofobia - isto é, o medo irracional de estar sem aparelhos eletrônicos - entre os jovens de 17 a 21 anos. Diante disso, é notável a presença da dependência digital no cotidiano da juventude contemporânea, a qual busca incessantemente a utilização da internet, a fim de escapar dos seus problemas. Logo, pode-se inferir que as causas dessa dependência configuram-se a partir da expectativa de fuga da realidade por parte dos jovens e desembocam, consequentemente, no comprometimento das diversas áreas - social e profissional, por exemplo - da vida desses indivíduos.
Em primeira análise, tendo em vista o poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, do escritor brasileiro Manuel Bandeira, é possível observar uma tentativa de escape dos problemas da vida, análoga à que é vista entre a juventude hodierna, que acredita encontrar no meio digital o seu refúgio. Sob esse aspecto, por intermédio da tecnologia, um problema real desencadeia a fuga para o mundo virtual, o qual produz a falsa sensação de afastamento das dificuldades da vida. Nesse sentido, uma das principais causas da dependência digital entre os jovens é a busca pela eliminação das adversidades mediante o uso de aparelhos eletrônicos, os quais produzem um mundo que, para eles, figura como a “Pasárgada” - ou seja, um subterfúgio - apresentada no poema de Manuel Bandeira.
Ademais, tal como mostra o documentário norte-americano “O Dilema das Redes”, os algoritmos das redes sociais funcionam de modo a direcionar a concentração dos indivíduos para as suas plataformas. Para tal, baseiam-se em formas de entretenimento que afetam a síntese de hormônios atuantes na sensação de prazer, como a dopamina, e que agem, portanto, de modo semelhante às drogas. Destarte, têm-se grandes consequências para os jovens dependentes do meio digital, visto que muitas esferas de sua vida são prejudicadas a partir do negligenciamento das mesmas. Pode-se destacar, pois, entre as consequências da sujeição à tecnologia, a perda da noção do tempo e o isolamento social, bem como o desenvolvimento de transtornos mentais, como a depressão, decorrentes desse isolamento.
Assim, faz-se mister que os órgãos competentes unam-se para mitigar tal problemática. Para tanto, a Organização Mundial da Saúde, cuja função é assegurar o mais alto grau de saúde para a humanidade, deve informar a sociedade sobre os malefícios que o uso excessivo de aparelhos eletrônicos implica. Isso pode ocorrer a partir dos meios de comunicação de massa, que têm grande alcance, com a difusão de propagandas que promovam o conhecimento de tais males. Por meio, também, de palestras nas escolas com profissionais da saúde que expliquem a importância de controlar o tempo no meio digital, serão formados jovens que não buscam em uma “Pasárgada” virtual a solução para os seus problemas.