Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 09/03/2021
Os jovens do século XXI nasceram imersos em um mundo inundado pela tecnologia. Entretanto, apesar dos avanços proporcionados por esta, o uso intenso e desmedido dessas inovações tecnológicas, como redes sociais e jogos eletrônicos, trouxeram ‘a luz da sociologia uma preocupante realidade social: a crescente dependência digital dos jovens na contemporaneidade. Assim, tendo em vista os nefastos impactos causados por esse excesso de uso -como desenvolvimento de transtornos mentais e obesidade-, é imprenscindível uma análise das causas e consequências desse vício atual.
Com efeito, é válido ressaltar que o uso intenso e problemático da internet se enquadra como uma dependência química, visto que a interatividade das redes, “e-mails” e “dowmloads” liebram no organismo neurotransmissores associado ao prazer, como a dopamina. Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortela, na primeira infância e na adolescência, os jovens passam por uma fase de maturação biólogica e formação identitária, tornando-os, respectivamente, hipersensitivos aos estímulos neurais e vulneravéis a influências e vícios ao buscar validação indentitária individual. Dessa forma, a internet quando exerce não apenas uma função secundária de socialização, mas também uma estratégia contínua de escapismo de conflitos e angústias -através de jogos eletronicos, redes sociais-, passa a aprofundar a dependência digital, principalmente, entre jovens.
Sob esse viés, ainda é válido destacar as consequências desse vício digital dos jovens na contemporaneidade. Consoante relatório publicado pela BMC Psychiatry, 23% do público infantojuvenil analisado no quadro “uso problemático dos smartphones” apresentaram problemas de ansiedade por não conseguir limitar o próprio tempo de uso de redes sociais e jogos onnline. Dessa forma, a utilização não moderada dessas plataformas, além de propiciar o agravamento de transtornos mentais como ansiedade e depressão, causa o isolamento do convívio social real, uma vez que as interações de um dependente tecnológico passam a ser, sobretudo, virtuais e superficiais -conforme teorizado por MIchael Foucalt como sendo isso um indicativo da modernidade líquida.
À luz destas considerações, compreende-se a urgente necessidade de superação da cultura de dependência digital dos jovens na atualidade. Assim, tendo em vista a preservação da saúde mental e física desse público -ameaçada pelas novas tecnologias- é necessário que os tutores tomem consciência da responsabilidade que possuem no tempo e uso da internet pelos filhos, com o intuito de estabelecer limites desses aspectos na rotina dos infantes. Tal medida, deve ser feita com o auxílio das escolas ao incentivarem e orientarem os pais a agir de maneira adequada na educação digital dos filhos ainda na primeira infância.