Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 12/03/2021

Na obra cinematográfica “De Volta Para o Futuro 2”, lançada em 1989, o protagonista Marty viaja para o ano de 2015 no futuro e é surpreendido pelo avanço científico e tecnológico, como os carros voadores, celulares e drones. Fora da fantasia, essas inovações em parte se concretizaram e representam um novo modelo social de relações e comunicações. Esse desenvolvimento cibernético foi vastamente ampliado e ocasionou uma dependência digital, principalmente da parcela juvenil, a qual influencia diretamente no comportamento das ligações sociais e, consequentemente, na saúde pública.

Mormente, a contemporaneidade, marcada pelos avanços digitais, é um fator potencializador do vício cibernético da juventude. Nesse sentido, rapidamente a tecnologia adentrou o cotidiano brasileiro e configurou-se inteiramente presente na sociedade. Para o sociólogo Émile Durkheim, um dos fatos sociais de sua tese é a “Exterioridade”, o qual configura-se como um fator influenciador anterior ao indivíduo. Isso significa que antes do cidadão nascer, já há uma influência cultural a ser recriada. Sob essa ótica, os jovens recebem um excessivo acesso precoce ao uso da “internet” já disseminada na sociedade, ocasionando uma dependência do ambiente “online”. Essa fixação pelo digital, oriunda da grande rede de acessibilidade virtual hodierna, é um forte prejudicial à saúde da parcela juvenil.

Em paralelo, a fragilização das relações é um problema direto da obsessão tecnológica nos jovens. Nessa perspectiva, pelos altos índices relacionados ao quantitativo de usuários presentes no meio digital, ocorre uma polarização dos “onlines” e os “offlines” que gera uma escassa socialização na realidade. De acordo com um estudo da faculdade londrina King’s College, 1 em cada 4 jovens está viciado no aparelho celular. Sob esse viés, a socialização física fica em segundo plano, gerando um comportamento de isolamento virtual e, posteriormente, o desencadeamento de doenças mentais. Com isso, nota-se a associação entre a dependência digital e o surgimento das enfermidades psicológicas, como também a necessidade da diminuição do tempo de uso desses avanços científicos.

Destarte, a dependência digital da parcela juvenil é um fator negativo para o bem-estar social. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação conscientizar os jovens das consequências e seus malefícios do vício virtual, por meio de palestras e campanhas nos centros de ensino público e privado de todo país na presença de psicólogos e psiquiatras, objetivando o fortalecimento das relações sociais. Além disso, é dever do Ministério da Saúde combater os malefícios na saúde nacional, por via do fornecimento de consultas e tratamentos psicológicos gratuitamente, visando o avanço das doenças relacionadas à dependência da tecnologia. Assim, há a possibilidade da contemporaneidade convergir para um futuro saudável e com os avanços tecnológicos do “Futuro” visitado por Marty.