Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 15/03/2021
De acordo com o sociólogo brasileiro Mário Sérgio Cortela, a mídia se comporta, hodiernamente, como corpo docente, ou seja, ocorre o fenômeno da “terceirização educacional”, pela incerção do indivíduo ao meio digital de modo excessivo. Dessa forma, as tecnologias onipresentes no cotidiano dos jovens, principalmente, pode acarretar dependência. Visto isso, causas e consequências sobre esse fator devem ser apresentadas, tais como o período prolongado de forma “online”, resultando na “erosão” do processo cognitivo e psíquico do sujeito.
Primeiramente, acontece um desenvolvimento gradativo de digitalização do dia a dia (socialização por mensagens, termo econômico por bancos ou compras virtuais), tendo como causa fundamental as revoluções tecnológicas do século XXI. A partir disso, a sociedade é englobada pelo contexto cibernético, o que ocasiona o vício eletrônico. Desse modo, segundo o Relatório Digital de 2019, os brasileiros passam cerca de nove horas por dia na internet. Ademais, sob os mesmos fatores indicados na pesquisa anterior, aproximadamente 87% dos cidadãos entre 14 e 17 anos, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, acessam a internet e utilizam o celular para esse fim. Sendo assim. desencadeia-se a perda da autonomia do indivíduo e a apreensão ao mundo digital, atualmente.
Além disso, como resultado, a geração “hiperconectada” apresenta um déficit cognitivo, traduzido na dificuldade no desenvolvimento e no aprendizado, e transtornos psicológicos, como a ansiedade. Isso porque, consoante o psicólogo brasileiro Cristiano Nabuco, no cenário digital, os jovens não transformam o conteúdo em conhecimento, apesar de serem expostos a “enxentes” informacionais. Por conseguinte, a nomofobia, nome dado ao medo irracional de estar desvinculado do aparelho eletrônico, torna-se crescente no meio social, o que ocasiona o desgaste intelectual e psíquico gerado pelos múltiplos focos. Assim, essa situação se apresenta como um desserviço educacional, à medida que subjuga o intelécto e a psique ao conhecimento supérfluo.
Portanto, é importante cogitar formas de tornar amena a dependência digital entre jovens na contemporaneidade. Dessa maneira, o Ministério da Educação, órgão governamental responsável pela política nacional educacional, juntamente às instituições de ensino, deve conscientizar o público, especialmente o jovem, a respeito das causas e consequências do cibervício. Isso se tornará possível, por meio da ministração de palestras, as quais deverão instruir o comportamento digital, cogitando a interação equilibrada entre o virtual e o social. Essa ação visa retomar a autonomia do sujeito e tornar o indivíduo apto a tranformar conteúdo em conhecimentos concretos, conforme Cristiano Nabuco.