Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/03/2021
Para o escritor norte-americano Joseph Krutch, a tecnologia tornou a existência de grandes populações possível, sendo indispensável para a manutenção do desenvolvimento e evolução das cidades. Sob essa ótica, vê-se que a sociedade hodierna necessita do universo cibernético, uma vez que funciona como uma ferramenta facilitadora e fundamental para a manutenção do ritmo acelerado do mundo moderno. Entretanto, observa-se uma crescente dependência digital por parte dos jovens brasileiros, em virtude do uso excessivo e prejudicial desse mecanismo, causando uma série de consequências na vida profissional, acadêmica e pessoal desses indivíduos.
A priori, vale analisar a grande quantidade de tempo gasto em frente às telas, visto que o Brasil se encontra no segundo lugar no ranking de países que mais passam horas conectados à internet, de acordo com um estudo realizado em uma parceria da Hoopsuite com a We Are Social. Dessa forma, observa-se que a geração mais jovem é a mais afetada por esse uso abundante, na medida que a tecnologia aumenta a produtividade, otimiza o tempo, facilita a sociabilização e simplifica a rotina por meio de poucos cliques. Todavia, o uso desordenado dessa ferramenta cria um apetite insaciável, de maneira que esse transtorno desencadeia efeitos químicos no cérebro, tal qual drogas e outros vícios, formentando grandes consequências.
Ademais, faz-se mister salientar os frutos da dependência digital na vida das crianças e jovens, estes que são apresentados à tecnologia desde muito cedo, sem orientação e ponderação. Diante disso, vê-se as consequências do uso demasiado a saber, o medo de ficar de fora (FOMO), ansiedade, depressão, solidão, menor desempenho na vida acadêmica e profissional, bem como o desperdício do tempo e energia em relações frágeis e líquidas. De maneira análoga ao pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o qual disserta sobre a liquidez e superficialidade das relações, ao passo que o homem pós-moderno está cada vez mais individualista e distante de sua natureza sociável e relacional, fato este que cresce com a dependência digital e o uso desordenado da internet.
Portanto, é fundamental contemplar as razões do uso exagerado da tecnologia por partes dos jovens, e agir de forma eficiênte para diminuir os impactos que abrangem a vida social, profissional e acadêmica dessa geração. Assim, cabe ao Poder Executivo disponibilizar verbas para a construção de novos parques e academias públicas, uma vez que atividades lúdicas e físicas são grandes aliados no combate de vícios e dependências, causando um aumento nas interações sociais e melhorando a qualidade de vida da população. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação proporcionar por meio de cartilhas educativas e palestras uma maior conscientização, diminuindo o tempo em frente as telas.