Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 16/03/2021

Albert Einstein, teórico alemão, disse que temia o dia em que a tecnologia ultrapassasse a interação humana. Ao refletir sobre sua fala, nota-se que, no século XXI, esse dia já chegou. Nesse sentido, uma geração que nasceu com a presença de diversas mídias visuais, cresce em um ambiente que estimula a priorização do mundo virtual em detrimento da realidade. Dessa forma, os jovens se predispõem à dependência digital e, por isso, são suscetíveis a prejuízos no desenvolvimento social, físico e emocional. Logo, a análise dos fatores que levam a criança e o adolescente a dependerem digitalmente é crucial para a elaboração de tratamentos e medidas preventivas desse vício atual.

O jovem se deslumbra pela tecnologia por influência do seu meio. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo, a contemporaneidade é caracterizada pela falta de substancialidade em aspectos pessoais e sociais do ser humano. Tal superficialidade gera vazios existenciais e, consequentemente, o indíviduo percorre um caminho para suprir as necessidades e carências emocionais provocadas por  essas lacunas. Desse modo, parte das crianças e dos adolescentes, ao se depararem com obstáculos na vida, terão dificuldades de enfrentá-los por falta de base emocional. Assim, um dos refúgios procurados será a Internet e seus recursos, que provocarão uma analgesia momentânea.

Por conseguinte, o retrato da realidade atual é de uma juventude desequilibrada emocionalmente pela alternância constante entre sentir dor e amenizá-la com o universo digital. Essa situação provoca a falta de autoconhecimento do jovem, o que colabora para a precariedade do desenvolvimento das inteligências inter e intrapessoais. Por isso, a pessoa apresentará dificuldades de sociabilização, aceitação própria, autoestima e até depressão e transtornos de ansiedade. Além dos sintomas psíquicos, há os físicos como a obesidade que é ocasionada pelo isolamento social e sedentarismo. É perceptível que um ciclo é gerado entre o cotidiano, o estado emocional do jovem e a dependência digital.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde, órgão responsável pelo bem-estar da população, capacite psicólogos e médicos para auxiliarem crianças e adolescentes viciados no mundo digital por meio de cursos complementares. Além disso, a família tem uma participação muito importante no tratamento e na prevenção da dependência, sendo necessário que esta receba instrução de como atuar com o jovem para oferecê-lo outras alternativas de lazer e psicoterapia. Destarte, apesar do temor de Einstein, haverá uma trilha para o equilíbrio entre as interações humanas e a tecnologia.