Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 14/03/2021

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o distúrbio de jogo no Código Internacional de Doenças (CID). Com isso, a OMS passou a considerar como doença a dependência digital, que é uma busca constante e prolongada de estar conectado à internet. Atualmente, muitos jovens, devido ao negligenciamento do assunto nas escolas e a dificuldade de controle dos pais quanto ao uso dos equipamentos eletrônicos, apresentam problemas no desenvolvimento do aprendizado e são expostos a riscos de saúde, agravados pela alta exposição a celulares, tablets e computadores.

De acordo com um estudo realizado pelo Estadão, 25% dos jovens brasileiros mantêm uma relação de depência com os meios digitais. Umas das principais causas são: a falta de diálogo com os pais e o negligenciamento dessa pauta nas escolas do Brasil. Isso é fomentado por, muitas vezes, acreditar-se que os assuntos psicológicos estão abaixo dos teórios; e, embora existam escolas no país que ofereçam aos estudantes disciplinas com experiência emocional, ainda há muitas que ocupam a carga horária total com conteúdos relacionados a outras áreas do conhecimento. Por outro  lado, uma pesquisa realizada por “Todos pela Educação” mostra que 19% dos pais de estudantes são considerados distantes do ambiente escolar e da própria relação com os filhos, o que agrava cada vez mais a dependência digital dos jovens ocasionada, entre outras coisas, pela falta de instrução e controle dos pais quanto ao uso dos objetos tecnológicos.

Decerto, a tecnologia sempre afetou o homem, desde a introdução dos rádios, o que contribuiu para diversas mudanças. Nos últimos anos, essas alterações vêm se tornando mais visíveis, principalmente quando se observam os jovens. Com isso, a utilização indiscriminada da tecnologia provoca o desequilíbrio cognitivo do ser. E, assim, potencializa os transtornos de atenção, transtornos obsessivos, de ansiedade e problemas com a linguagem e a comunicação, o que afeta diretamente a aprendizagem. Além disso,  a OMS alerta sobre os riscos de câncer pela proximidade com os aparelhos eletrônicos, assinalando, assim, que a dependência degital transcende a esfera psicológica.

Visto isso, é necessário que os hospitais públicos forneçam tratamento para os jovens que se consideram viciados, além de ofertarem programas preventivos. Por outro lado, é indispensável a atuação do Ministério da Educação, para que este torne obrigatória a discussão sobre o tema nas escolas do Brasil e, com isso, juntas, a educação e a saúde pública, promovam maior qualidade de vida à população jovem e ensinem-a como usar a tecnologia e os aparelhos que dela advém de maneira mais controlada.