Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 12/03/2021

No curta-metragem animado “These Sistems Are Failing”, do artista britânico Steve Cutts, o uso abusivo das tecnologias é duramente criticado, por meio da representação de uma sociedade hipnotizada, insensível e doente, diante da realidade e problemas do mundo apresentados. Fora da animação, a dependência tecnológica, na atualidade, tem crescido em ritmo acelerado, sobretudo na geração de jovens, fruto de uma necessidade constante de fuga da realidade, que causa graves problemas de depressão e ansiedade.

É válido analisar, inicialmente, que uma das principais causas da dependência tecnológica dos jovens é a necessidade constante de uma válvula de escape. Dessa forma, com as inúmeras possibilidades de entretenimento oferecidas pelo ambiente virtual, a juventude recebe a todo momento descargas de prazer e relaxamento em seu cérebro. Essa conjuntura assemelha-se à realidade distópica do livro “Admirável Mundo Novo”, do escritor Aldous Huxley, no qual a sociedade tem à disposição comprimido “soma”, capaz de promover uma felicidade contínua e o esquecimento dos problemas do cotidiano. Fora da ficção, apesar de não existir esse comprimido, a dependência à tecnologia tem causado um efeito parecido.

Ademais, o vício aos artigos tecnológicos também causa inúmeras consequências, tais como depressão e ansiedade. Isso ocorre, pois a web gera uma ilusão de tudo ser possível para quem quer, além de promover um isolamento, que prejudica a capacidade de interação social. Essa conjuntura associa-se ao pensamento do filósofo sul-coreano Byung Chul Han sobre a “sociedade do cansaço”, no qual ele afirma que a humanidade vive um momento de positividade tóxica, sempre obrigada a produzir e a mostrar o lado positivo da vida, o que tem gerado um cansaço mental nos indivíduos.

São necessárias, portanto, medidas que mudem essa realidade. Para isso, o Ministério da Ciência, junto ao Ministério da Saúde, promoverão a conscientização sobre essa problemática, por meio de uma campanha a nível nacional, com a organização de palestras em comunidades e instituições educacionais, voltadas para o público jovem, com o intuito de alertá-los sobre os perigos e mostrar as outras inúmeras possibilidades de diversão que existem. Além disso, os mesmos órgãos, por meio dessa campanha, promoverão diversos anúncios em redes sociais, alertando a população sobre essa realidade, o que construirá um senso crítico sobre essa questão e aumentará a autonomia da juventude a essas “tentações”, protegendo-os de problemas psicológicos futuros.