Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 15/03/2021
No documentário da Netflix “O dilema das redes”, é exposto por especialistas os problemas enfretados por jovens que, ao entrarem em contato com o mundo digital, têm as suas vidas moldadas e modificadas a partir de algorítimos. Ainda que pareça ter um teor catastrófico, a realidade do longa-metragem é a mesma vivenciada por milhares de brasileiros que, por não conseguirem ter controle sobre o mundo virtual, acabam a utilizando de forma desmedida. Sob esse viés, é válido discutir as origens da depêndia tecnológica enfrentada pelos adolescentes brasileiros, bem como o seu impacto social na contemporaneidade.
Com efeito, é evidente que a tecnologia é utilizada, também, como um meio de escape da realidade exaustiva. Isso pode ser explicado ao perceber que, desde a primeira Revolução Industrial, a interação do homem com as máquinas ocasionou uma mudança comportamental. Dessa maneira, há uma necessidade de acompanhar incessantemente as mudanças e as inovações ocorridas. Nessa perspectiva, à luz do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, o século XXI é marcado por o que ele cunhou de “Sociedade do cansaço” - uma sociedade que, devido as condições de metas inalcançáveis, torna-se fragilizada e necessita, a todo custo, de uma fuga da realidade que lhe fora imposta.
Como consequência, há uma naturalização da depedência da tecnologia causada por o uso excessivo de smartphones. Nesse contexto, ainda que os jovens desenvolvam a necessidade constante de estarem em um meio virtual, devido a paradigmas sociais, muitas vezes o fato não é reconhecido como uma doença que, assim como outras, necessita de tratamento. No entanto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depêndia tecnológica, caracterizada pela desvicunlação do indivíduo com o meio social em detrimento da tecnologia, é uma patologia. Além disso, de acordo com uma pesquisa divulgada pela BBC, ela afeta 25 em cada 100 adolescentes, mas eles não recebem tratamentos especializados.
Portanto, admite-se que os estigmas sejam erradicados e o tratamento àqueles que necessitam seja ofertado. Para isso, o Ministério da Saúde deverá promover consultas regulares e gratuitas com psicólogos para jovens e seus familiares. Isso poderá ser realizado por intermédio da integração do Governo Federal com Estados e Municípios, a fim de que sejam promovidas campanhas de incentivo ao acesso para o atendimento psicológico. Dessa forma, serão tratados, quando necessário, os jovens que sofrem com a dependência tecnológica, e eles também poderão ter a participação essencial da família em todo o processo, e desse modo o tratamento será efetivo. Assim, o retrato cinematográfico de “O Dilema das Redes” será apenas uma realidade que foi uma vez vivida.