Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/03/2021
Para o teórico da comunicação Marshall McLuhan, o mundo transformou-se em uma “aldeia global”, ou seja, o desenvolvimento tecnológico ampliou e acelerou a interação entre os indivíduos. Contudo, nota-se que essa realidade hiperconectada apresenta novos desafios que exigem maior atenção da sociedade, como a dependência digital dos jovens. Dessa forma, é válido analisar como o contato precoce com o meio virtual intensifica essa problemática e provoca entraves à socialização desse grupo.
A priori, é preciso destacar que o acesso cada vez mais cedo aos veículos digitais e o despreparo das instituições responsáveis, principalmente a família e a escola, podem levar à dependência tecnológica dessa geração. Nesse sentido, tal cenário exemplifica as ideias do pedagogo Mário Sergio Cortella, o qual afirma que a contemporaneidade é marcada pelo processo da terceirização da educação pela mídia. Segundo essa perspectiva, devido à falta de participação ativa dos pais e à predominância de um ensino deficiente, a construção crítica e emocional da criança é transferida para os meios de comunicação, como as redes sociais. Nesse viés, ao ignorar os prejuízos desse comportamento e a importância da imposição de limites, a introdução precoce no mundo virtual torna o contato excessivo com esses dispositivos um aspecto cotidiano e natural da realidade do jovem.
Ademais, é necessário ressaltar os prejuízos à formação social e emocional dessa camada como os principais impactos da dependência digital. Nessa lógica, tal cenário está associado à teoria da “Modernidade líquida”, do sociólogo Bauman, segundo o qual o atual mundo hiperconectado se caracteriza pela fragilidade das relações humanas. À vista disso, é perceptível que essa realidade representa a transferência de aspectos típicos do ambiente virtual, como o imediatismo e a superficialidade das comunicações, para a vida em sociedade. Nessa concepção, o uso abusivo das ferramentas tecnológicas forma sujeitos incapazes de transitar de forma saudável e segura entre esses meios, fato esse que dificulta sua inserção na comunidade e o enfrentamento de desafios cotidianos. Dessa forma, a exposição excessiva dos jovens favorece o desenvolvimento de doenças relacionadas à saúde mental, como a ansiedade, e dificulta a formação de vínculos duradouros, uma vez que a instantaneidade das ações e a efemeridade das relações passam a orientar o comportamento.
Logo, para combater a dependência digital dos jovens, as escolas devem orientar os pais mediante a realização de palestras com profissionais que esclareçam sobre os perigos do contato precoce e a importância de estabelecer limites, a fim de agajar a família no enfrentamento do vício. Ademais, essa instituição também deve conscientizar essa geração por meio de um ensino digital que reforce as fronteiras da vida vitual e da real, visando promover o uso seguro da tecnologia e a saúde emocional.