Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 13/03/2021

“Se estilhaçou em cacos virtuais, nas aparências todos são iguais, singularidades em ruínas”. Esse trecho da música “Desconstrução”, do músico brasileiro Tiago Iorc, é um reflexo da sociedade contemporânea, em que os indivíduos, principalmente os mais jovens, estão cada vez mais dependentes e influenciados pelo ambiente virtual e suas exigências. Dessa maneira, é importante analisar como a formação de uma cultura que valoriza o uso precoce e excessivo desses dispositivos tecnológicos pode levar a um vício, além da consequência para a saúde mental desse grupo.

A priori, é válido destacar que a dependência digital dos jovens deve-se, em grande parte, ao seu contato precoce com o meio virtual e com uma cultura que valoriza o seu uso constante. Tal perspectiva baseia-se na teoria do “Habitus”, do sociólogo Bourdieu, o qual afirma que os indivíduos são formados de acordo com os costumes e ideias do ambiente em que vivem. A partir dessa concepção, percebe-se que a tecnologia tornou-se um novo “habitus”, já que é utilizada para orientar diversas esferas socias, como recurso de entretenimento, de estudo e trabalho, além da comunicação. Contudo, a inserção cada vez mais recente desses instrumentos digitais prejudica a formação dos sujeitos, uma vez que, por estarem em um período de desenvolvimento, não são capazes de perceberem os prejuízos do uso abusivo. Nesse sentido, essa atual forma de educação, que valoriza os dispositivos virtuais, pode causar a produção de uma geração acrítica e mais suscetível ao vício.

Ademais, é necessário ressaltar que a dependência digital do jovem pode ter como consequência o enfraquecimento de sua saúde mental. Isso ocorre pois esse grupo torna-se mais influenciado pelo ambiente virtual. Nesse sentido, tal concepção está relacionada à teoria “Vigiar e punir”, do filósofo Foucault, o qual afirma que a sociedade é responsável por criar normas comportamentais e reprimir os indivíduos que não as seguirem. Nessa lógica, os mecanismos tecnológicos, especialmente as redes socias, tornaram-se novos recursos de penalização contra atitudes desviantes. Desse modo, nota-se que esses sujeitos, por utilizarem de forma excessiva os dispositivos digitais e valorizarem as ideias neles expostas, são instigados a seguirem um padrão de conduta que bloqueia a subjetividade e promove o julgamento, o que prejudica a saúde mental e pode levar a doenças como a depressão.

Logo, para combater a dependência digital dos jovens, as escolas devem incentivar a formação crítica e digital mediante a realização de aulas que auxiliem e orientem os indivíduos a  utilizarem de forma proficiente e segura os dispositivos tecnológicos. Ademais devem-se realizar palestras, com a participação dos responsáveis, que esclareçam sobre os perigos do uso excessivo e das ideias expostas nesse ambiente para a saúde mental dos sujeitos, a fim de construir usuários mais conscientes.