Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/03/2021
Ao analisar a sociedade industrial de sua época, o sociólogo Auguste Comte afirmou que a ciência nos deixaria cada vez mais próximos do progresso. Porém, nem todos os avanços tecnológicos oriundos das Revoluções Industriais nos trouxeram só benefícios. Na contemporaneidade, por exemplo, percebe-se uma intensa dependência digital por parte dos jovens, levando, muitas vezes, ao desenvolvimento de distúrbios mentais. Nesse sentido, cabe analisarmos o descaso familiar ligado ao contato dos jovens com a tecnologia e o efeito dessa compulsão nas relações do indivíduo para entendermos, de fato, como isso acomete a vida juvenil.
Primeiramente, é de suma importância destacar que, em uma sociedade cada vez mais veloz, a educação familiar fica limitada. Desse modo, o cuidado dos pais em relação à introdução da tecnologia na vida de seus filhos acaba sendo escasso e causando essas tantas horas em frente às telas. Paralelamente a isso, encontra-se o pensamento existencialista de Jean Paul Sartre, que, ao afirmar que “a existência precede a essência”, sinaliza-nos que a dependência tecnológica, a qual atinge principalmente essa faixa etária, é algo adquirido durante o desenvolvimento pessoal, podendo, assim, ser evitado caso se priorize a prevenção.
Outrossim, também deve-se salientar como o uso exagerado do meio digital traz consequências na vida social do jovem usuário. Isso porque, como disse o filósofo Byung-Chul Han, a comunicação vai se degenerando concomitantemente ao pouco intercâmbio de informações, transformando, assim, as relações em meras conexões entre semelhantes. Dessa maneira, percebe-se que a compulsão virtual não corrobora para o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais crítica e que aceita as diferenças, visto que afasta e compromete o contato essencial entre as pessoas.
Diante dos fatos supracitados, a dependência digital dos jovens na contemporaneidade é ainda um problema que demanda uma solução. Assim, cabe aos pais um cuidado demasiado na introdução das tecnologias na vida dos seus filhos, vigiando e gerenciando, por meio de aplicativos, o tempo que eles passam online, para que as relações e a convivência com outros indivíduos e com novas opiniões não sejam prejudicadas. Dessa forma, desenvolver-se-ia uma nova essência entre os jovens, que cresceriam num meio propício para a comunicação e para o intercâmbio de informações.