Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 12/03/2021
A Terceira Revolução Industrial, com o advento dos computadores estabeleceu a globalização como uma realidade mundial, perpetuando no indivíduo a necessidade de ser manter conectado com o mundo ao ser redor de maneira constante e cada vez mais imediata. Com os avanços tecnológicos, tal perspectiva se tornou ainda mais urgente e necessária na idade contemporânea, sobretudo no que se refere ao público jovem. Isso porque, ao fornecer a possibilidade de expor uma visão ilusória de si mesmo, o mundo virtual cria uma espécie de dependência em mascarar as dificuldades encaradas no mundo real, principalmente em uma fase tão turbulenta quanto a juventude. A consequência disso, é a construção de uma geração frustrada com a realidade e dependente da validação do outro, em um sistema em que as relações virtuais são mais importante do convívio direto fora do cenário digital.
A princípio, é válido destacar a maneira como o espaço virtual pode atuar como uma “válvula de escape” que propicia a formação de vícios digitais. De acordo com o psicanalista alemão Erik Erikson, o desenvolvimento do ser humano é baseado em crises de identidade que acontecem nas transições entre os estágios da vida, sendo a mais acentuada delas ocorrida durante a adolescência. Isso se dá, devido ao fato de que é nesse período que o jovem cria suas visões de mundo, buscando a aceitação do grupo social ao longo da formação de seu caráter. Uma vez que no mundo real lidar com as mudanças físicas e com a transição da infância para a vida adulta dificulta o alcance de tal aclamação, seja nos jogos, seja nas redes sociais, o jovem torna-se dependente dos meios digitais, ao enxergar neles uma chance de, seguindo as tendências daquele cenário, conquistar o tão almejado reconhecimento.
Ademais, é imprescindível a percepção dos efeitos dessa necessidade compulsória de validação. Segundo a pensador Frantz Fanon, o mundo contemporâneo é marcado pela supressão da subjetividade do indivíduo que passa a ser direcionado pela subjetividade do outro a seu respeito. Sendo assim, a dependência cada vez mais acentuada dos jovens em relação aos aparelhos digitais, estabelece “o outro” como ideal a ser seguido. Logo, quando não consegue ser ovacionado por esse outro, supostamente perfeito nesse cenário fictício, o jovem entre em choque com a realidade, abrindo margem para doenças como depressão e ansiedade e em casos mais extremos o suicídio.
Sendo assim, cabe ao governo, juntamente com a família e a a escola, alertar os jovens a respeito dos limites entre o que é real e o que é ficcional, além de auxiliá-los no processo de transição até a vida adulta, através de projetos que estimulem as experiências e interações dentro do mundo real, bem como o enfrentamento das dificuldades propostas por este, a fim de formar uma juventude capaz de conviver com a importância dos meios digitais, mas não em dependência deles.