Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 12/03/2021
No século XIX, o movimento romântico tomava conta da arte do continente europeu, e, consequentemente, do resto do mundo. No contexto do romantismo, surge um conceito muito pertinente à presente temática: o escapismo, ou, fuga da realidade, fosse para a infância, para a fantasia ou até para o suicídio. Hodiernamente, o escapismo acontece para e através dos meios digitais. A fuga da realidade é o principal motivo pelo qual os jovens abusam do uso da internet e aparelhos móveis, o que tem se traduzido em transtornos mentais sérios e fragilidade psicológica.
A priori, é justo entender quais motivos provocam a prática do escapismo pelos jovens. Historicamente, a pressão sofrida por esse grupo só tem crescido. A busca tóxica pelos melhores resultados existe desde o começo da formação, através dos rankings, das competições, da corrida pelas vagas de vestibular e finalmente pelos melhores cargos no mercado de trabalho. Segundo pesquisa do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes, realizada com mais de meio milhão de alunos de 72 países, 56% dos brasileiros sofrem com a pressão pré-vestibular, e mesmo assim, o Brasil ainda ocupa o segundo lugar no ranking da ansiedade. Nesse seguimento, o meio digital surge como válvula de escape. O jovem encontra amparo no virtual e no anonimato, tornando-se dependente dessa ferramenta e negligenciando a vida no mundo real.
A posteriori, torna-se necessário entender o impacto negativo que o uso desmedido do digital pode causar. O filósofo sul-coreano Byung Chul Han, em seu livro intitulado “Sociedade do Cansaço”, defende que o excesso de positividade encontrado nas redes virtuais é extremamente prejudicial para a saúde mental. O indivíduo, extenuado dos óbices da vida real, encontra-se agora submerso em perfis de pessoas que, aparentemente, como escrito por Fernando Pessoa, “nunca levaram porrada”. A tristeza e os desenganos vividos pelo jovem adulto se convertem em transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, crises de pânico e a impressão profunda de que nunca será suficientemente feliz.
Dado o exposto, algumas posturas devem ser adotadas para que o problema seja amenizado. A família deve, através do diálogo, diminuir a competitividade presente no âmago de cada ser, e, paulatinamente, demonstrar que o insucesso e os reveses são naturais e devem ser encarados com maturidade e sabedoria. Dessa forma, do micro para o macro, a pressão sobre o jovem irá diminuir, a necessidade de escapismo cessará e as redes sociais serão consumidas de forma próspera e sadia.