Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 23/03/2021

No filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, uma das crianças sorteadas para explorar o espaço dos sonhos de Williy Wonka foi Mike, um garoto sem muito entusiasmos pelas fantasias de Williy, pois preferia passar seu tempo nos mecanismos digitais. Fora da ficção, a contemporaneidade brasileira não se diferencia da trama, tendo em vista a problemática recorrente entre o grupo juvenil do uso obsessivo das plataformas digitais. Nesse sentido, é importante frisar que essa utilização desenfreada dos espaços cibernéticos pode ser caracterizada como válvula de escape diante dos problemas individuais, o que por sua vez, possui implicações prejudiciais na realização de outras atividades.

Vale ressaltar, de início, que entre as principais causas desse uso excessivo, destaca-se as inseguranças pessoais de parte desses jovens, que utilizam esses meios como escapismo para omitir os problemas. Diante disso, relaciona-se a essa realidade a tese do sociólogo polonês Zigmund Bauman, acerca da Modernidade Líquida, caracterizada pela fragilidade das relações sociais- o que, inclusive, afeta o comportamento de uma parcela dos indivíduos de faixa etária juvenil pela perda de esperança nessas interações. Seguindo essa perspectiva, uma parcela da população adolescente que encontra-se imersa nesses conflitos pertubadores recorre aos meios digitais como forma de fugir dessas questões problemáticas da vida real. No entanto, essa recorrência eviciosa à prazeres efêmeros é capaz interromper atapas cruciais desses indivíduos na adolescência.

Desse modo, é inquestionável que essa problemática interfere no desenvolvimento social e educacional desses adolescentes. De acordo com o filósofo Hans Jonas, o desenvolvimento tecnológico, quando mal utilizado, pode conduzir a problemas éticos e sociais. Tais implicações salientadas pelo filósofo são observada nos aspectos negativos do uso descontrolado desses mecanismos, posto que isolados dos familiares e excessivamente ativos nos espaços cibernéticos, esses jovens encontram dificuldades em manter o rendimento escolar e, inclusive, a socialização entre parentes e amigos. Assim, nota-se que as consequências desse vício afetam as principais dimensões do desenvolvimento desses indivíduos enquanto cidadãos.

Portanto, é impesioso que o Estado aborde essa temática nas escolas, mediante atividades extracurriculares sobre o assunto e a disponibilização de psicólogos para debater acerca desse problema (alertando, sobretudo, sobre as consequências) com as crianças, de modo a auxiliar aquelas que necessitam de atendimento necessário, a fim de romper o ciclo vicioso de escapismos entre esses adolescentes, e, assim, diferenciar a realidade brasileira da trama vivida pelo garoto Mike.