Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/03/2021
Ao longo da história da humanidade, o homem tem-se deparado com crises existenciais que o levam ao escarpismo, isto é, tendência a fugir à realidade para buscar outras ocupações que tragam prazer e relaxamento à mente e ao corpo. Hodiernamente, é preocupante para o tecido social a questão da dependência digital entre os jovens, uma vez que prejudica o desenvolvimento psicoemocional e intelectual daqueles que, futuramente, serão responsáveis pelos rumos do planeta. Nesse sentido, impera uma análise da questão que busque não só entender como o papel atribuído à mídia intensifica uso dos meios digitais pela juventude, como também as consequências psicológicas relevantes.
Em primeira análise, é válido analisar como a mídia na sociedade globalizada contribui para o uso exacerbado dos aparelhos e redes sociais. Sob ótica da Escola de Frankfurt, o “totalistarismo eletrônico” é uma tendência em progressão, o qual afirma que as massas, na verdade, estão sendo manipuladas por meio do bombardeamento de informações desnecessárias, que geram a alienação e dependência . Assim, cada vez mais os jovens são atraídos para o consumo vicioso do que é difundido pela internet, o que acontece, por exemplo, na esfera dos games, que os atrai e fideliza por meio de boas estratégias de marketing e novas opções de jogabilidade. Desse modo, a influência midiática é algo que reforça a permanência do quadro atual.
Outrossim, é de suma importância conhecer as consequências da dependência digital. Nesse sentido, o documentário “O Dilema das Redes”, divulgado pela Netflix, apresenta o termo “Dismorfia do Snapchat”, o qual se refere a um novo tipo de síndrome psicológica como resultado do uso intesivo das ferramentas tecnológicas, que faz o usuário negar suas feições naturais em busca de um rosto com efeitos digitais - olhos maiores, bochechas afinadas e lábios de destaque. Além disso, pode-se citar tanto implicações comportamentais frutos da abstinência digital, aumento da violência e irritabilidade; quanto físicas, elevação dos casos de cefaleia e danos psicológicos; e também sociais, dificuldades de sociabilidade, comunicação e convivência com os pares.
Diante do exposto, cabe à esfera familiar e empresas responsáveis pelas redes sociais e jogos vituais tomar medidas para reverter a situação. Nessse sentido, é de responsabilidade da família o acompanhamento do jovem e criação de horários-limite para o uso da tecnologia, seja por meio de calendários ou esquemas próprios que se adequem às necessidades cotidianas do adolescente, a fim de limitar a exposição desse ao bombardeamento de informações e uso excessivo dos games. Ademais, é incubência das empresas do ramo criar avisos claros que alertem para as consequências negativas do mau uso prolongado, de modo a aflorar a tomada de consciência por parte dos envolvidos.