Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 14/03/2021

No documentário da Netflix “O dilema das redes”, é mostrado o cotidiano de uma família mergulhada no debate sobre o uso exagerado das redes em que os filhos comportam-se como zumbis ao se desconectarem do celular. De maneira análoga ao documentário, a realidade atual dos jovens reforça essa dependência digital, sendo necessário a discussão sobre as causas e os efeitos de tal comportamento.

A priori, ao partir do pensamento de Freud de que é impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem um mecanismo de fuga, percebe-se que o mecanismo da contemporaneidade são as redes sociais. O uso excessivo do celular é um reflexo da desigualdade social brasileira, o que faz com que os jovens busquem um local como a web em que essas diferenças são maquiadas. Ademais, a geração atual é marcada pela preocupação excessiva com a autoimagem, ou seja, ao aliar isso com uma baixa autoestima, as redes sociais viram palco para popularidade e aprovação social, tornando-se assim, um ambiente de aparente inclusão e destaque.

Em uma segunda análise, de acordo com pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo 1 em cada 4 jovens apresenta dependência digital e entre os pesquisados, a porcentagem do desenvolvimento de ansiedade é o dobro entre os dependentes. Diante disso, é evidente o impacto negativo nas relações e controle de emoções, o que prejudica futuramente o seu desenvolvimento pessoal. Além do mais, os vícios em jogos virtuais cooperam para um comportamento abusivo e consequente baixo rendimento escolas, sendo afetado principalmente o âmbito familiar pela falta de diálogo, o que intensifica a necessidade de elaboração de medidas que limitem tal acesso.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir os impactos da dependência digital dos jovens na contemporaneidade. A família em parceria com uma rede de psicólogos deve promover a limitação do uso em excesso da web e dos aparelhos digitais por meio de terapias e criação de horários predestinados para o acesso. A fim de que o indivíduo possa enxergar os maléficios desse vício e passe a utilizar as redes sociais com maior aproveitamento sem que interfira nas suas relações e no seu desenvolvimento. Somente assim, será possível o surgimento de uma geração de jovens intelectualmente preparados para introdução nesse meio digital, ao contrário dos zumbis protagonistas no dilema das redes.