Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 13/03/2021

No livro “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XXI. Fora da ficção, a sociedade brasileira, no decorrer das transformações ocasionadas pelo advento da internete, tem vivenciado um fenômeno cultural compulsivo, pouco debatido socialmente, a dependência digital dos jovens na comtemporaneidade, que vem culminado por causar uma série de impactos negativos na vida social de milhares de indivíduos. Diante dessa perspectiva, torna-se evidente como causa as questões socioculturais e como consequência a perda  total ou parcial da sociabilidade dos acometidos por este vício  digital.

Sob esse viés, pode-se apontar como um impasse à constituição de uma solução as questões socioculturais, haja vista que, por se tratar de um fenômeno cultural, a dependência digital vem sofrido o processo de normalização, o que acarreta na transfiguração desse comportamento vicioso em um hábito compartilhado e aceito por todos. Nesse sentido, o filósofo Durkheim afirma que o fato social designa a maneira coletiva de pensar. Por essa lógica, é possível perceber que a questão da dependência digital dos jovens na contemporaneidade é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social que aceita esse tipo de compulsão tecnológica, a tendência é a adoção e perpetuação desse comportamento, o que torna a sua resolução ainda mais complexa.

Outrossim, a lacuna social tem- se fundamentado como a principal consequência da dependência digital dos jovens na contemporaneidade, tendo em vista que, apesar da “aproximação social” proporcionada pelo advento da internet com rompimento das barreiras físicas, as tecnologias digitais têm funcionado, em parte, como um grande impasse no processo de sociabilização no que tange ao âmbito dos relacionamentos mais íntimos daqueles acometidos pela compulsão digital. Nessa perspectiva, o filósofo Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, realiza uma crítica à fragilidade na qual as relações humanas são pautadas. Sob essa óptica, a liquidez presente nas relações sociais, após o surgimento da tecnologias digitais, que caracteriza a cultura atual, configura-se como um grave problema que atinge diversas áreas da ação humana.

Portanto, indubtavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Logo, torna-se míster que os governos estaduais, em parceria com as ecolas, realizem palestras, no ambiente colegial, com assitência de psicólogos e especialistas no assunto, sobre a importância do combate à questão cultural da dependência digital dos jovens  e a respeito das consequências sociais dessa, a fim de conscientizar a população acerca dessa problemática e de impedir a sua perpetuação.