Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 12/04/2021

No século XVIII, ocorreu a primeira Revolução Industrial, trazendo inúmeros avanços para a humanidade, como a produção por meio de máquinas. Desde então, a sociedade e suas tecnologias evoluíram, criando aparelhos que facilitam a vida humana, como computadores, e se tornaram indispensáveis, como conferido ao longo de 2020, quando a pandemia por Covid-19 forçou todos a se comunicarem quase exclusivamente via internet. Entretanto, essa necessidade de uso gerou uma certa depência digital, a qual é um problema que afeta especialmente os jovens, tendo, portanto, causa - contato precoce com aparatos - e consequência - relacionamentos cada vez mais superficiais.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a origem do vício, que, dentre outros fatores, destaca-se a introdução de dispositivos para crianças, principalmente na primeira infância (de 0 a 6 anos), promovendo o uso de tecnologias muito cedo. Na contemporaneidade, situações como a de Gloria e Joe (mãe e filho, personagens de Modern Family, série produzida pela Netflix) são extremamente comuns - a figura materna só consegue fazer o bebê parar de chorar ao deixá-lo assistir a determinado programa infantil televisivo, apelando para as telas controláveis. Porém, esse processo de tranquilização se mostra ruim, já que as tecnologias passam a acompanhar o crescimento dos meninos e meninas, induzindo a submissão às comodidades que elas oferecem. Tais benefícios mascaram o transtorno que será desenvolvido ao longo da vida dessas pessoas.

Por conseguinte, as relações estabelecidas por indivíduos nomofóbicos - aqueles que se angustiam ao ficarem impossibilitados de se comunicarem digitalmente - são extremamente rasas. Haja vista o conceito de Modernidade Líquida, proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, cuja definição é a de uma realidade móvel e maleável resultante da ampla evolução globalizada da população mundial, os jovens estão inseridos em constantes fluxos de mudanças e em incertezas. Essa fluidez é baseada na maleabilidade da vida em redes sociais, nas quais as amizades virtuais são feitas e desfeitas rapidamente, mas também as amizades reais são prejudicadas, pois os usuários ficam focados unicamente em seus apetrechos modernos, acabando por negligenciar suas conexões fora das telas.

Logo, faz-se essencial que o Ministério da Educação promova aulas sobre tecnologias, a fim de ensinar futuros pais, crianças, adolescentes e os demais brasileiros quanto à maneira adequada de uso das tecnologias. Dessa forma, os ensinamentos, passados por meio de palestras com especialistas na área em escolas públicas, aos sábados e com acesso gratuito permitido por inscrição prévia, promoverão a superação da depedência digital, da sua causa e da sua consequência. Assim, livre do vício conferido, o legado da Revolução Industrial e da pandemia será ainda mais positivo.