Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 19/05/2021

No filme “Jogador Nº 01”, a humanidade se encontra em 2045, num futuro no qual há uma superpopulação e péssimas condições de vida para as pessoas. Nessa situação, o único meio de “fuga da realidade” é por meio do jogo “Oasis”, que cria um mundo virtual em que tudo é possível. Apesar de ser uma situação ficcional, atualmente muitos jovens brasileiros passam tempo excessivo com seus aparelhos eletrônicos, o que, a longo prazo, os tornam dependentes desse uso. Essa utilização prolongada possui, entre suas causas, a fuga da realidade por meio do mundo digital e a tentativa de se destacar nas mídias virtuais de qualquer forma.

Em primeiro plano, são notórios os problemas sociais que a pandemia de COVID-19 trouxe à juventude, tais como o aumento das tensões em casa e a impossibilidade de sair do ambiente doméstico devido à necessidade de isolamento social. Segundo dados do Ministério da Família e Direitos Humanos, foram registradas 26.416 denúncias de violência doméstica pelo canal “Disque 100” entre março e junho de 2020. Portanto, as dificuldades domésticas fazem com que o ambiente real se torne algo não atrativo para os jovens, que buscam se isolar disso e acham uma solução temporária no mundo virtual.

Simultaneamente, há uma grande vontade, por parte do público jovem, de se destacar no meio digital, principalmente nas mídias sociais que dão grande importância às visualizações, tais como Instagram e Facebook. De acordo com a OMS, 1 em cada 5 pessoas dos usuários desses recursos online sofrem de vício ou dependência emocional do sistema social de comunicação, e muitas vezes essa dependência está atrelada à vontade de se tornar famoso nesse meio. Então, certamente, em conjunto com a vontade de fuga da realidade, o desejo excessivo de se destacar nas redes representam fatores que justificam a dependência digital dos jovens contemporâneos.

Portanto, pode-se inferir que há vários fatores que explicam elevados índices de vício em dispositivos digitais, sejam eles externos ou internos. Logo, o Ministério da Saúde, em conjunto com os veículos de comunicação em massa, deveriam investir em medidas de intervenção para diminuir o número de afetados pelo vício. Essas medidas poderiam vir a partir de investimentos no combate do problema em nível nacional, por exemplo, em tratamento para os afetados pela situação e campanhas de conscientização, visíveis em outdoors, comerciais e palestras. Desse modo, o futuro distópico de fuga da realidade visto em “Jogador Nº 01” terá muito mais dificuldade para se concretizar.