Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 24/05/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o campo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Conquanto, fora da ficção, no contexto brasileiro percebe-se o oposto da idéia apresentada pelo autor, haja vista as consequências do uso das redes sociais no Brasil que, embora seja fundamental para a vida contemporânea, encontra entraves para a sua plena concretização, seja pela manipulação midíatica, seja pelo uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Desse modo, faz-se necessário a ánalise dos fatores que favorecem esse quadro no país.
Dessarte, é válido analisar a ineficiência governamental em apresentar medidas rígidas e eficientes que combatam a despluralização do pensamento. Nesse sentido, a pouca fiscalização quanto aos meios de comunicação somada ao fácil acesso à redes sociais e meios de comunicação, principalmente pelos mais jovens, faz com que, por meio de influências de fatores midiáticos voltados para a sociedade de consumo, o cidadão perca o seu pensamento individual e se junte a uma massa coletiva. Essa conjuntura, de acordo com os pensamentos de Thomas Hobbes, configura-se como uma violação do Pacto Social, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir o bem-estar da população, o que infelizmente é evidente no país.
Em segunda instância, é importante apontar o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos como consequência do uso das redes sociais. Dessa forma, segundo Durkheim, fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de generalidade, coercitividade e exterioridade. À vista disso, o uso desmedido de aparelhos tecnológicos pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança pertence a uma família com hábitos exuberantes em relação à redes sociais, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Desse modo as práticas familiares, transmitidas de geração em geração, funcionam como forte base para a permanência e aumento do uso excessivo dos meios de comunicação onlines. Logo, é inadmíssivel que tal cenário continue a pendurar no Brasil.
Urge, portanto, que as consequências negativas do uso das redes sociais sejam combatidas. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, orgão responsável pela administração educacional brasileira, por intermédio da alteração na lei 9.394, de Diretrizes e Base da Educação, criar novas disciplinas curriculares que ensinem acerca de como usar as redes sociais moderadamente, em como elas podem influenciar nas suas escolhas e que preparem de forma apropriada os estudantes dos cursos de licenciatura, a fim de que, dessa forma, seja possível garantir uma educação que forme indivíduos mais autônomos quanto seus pensamentos e que saibam o limite no uso às redes sociais. Assim, a sociedade retratada na obra Utopia ficará mais próxima de ser alcançada.