Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 17/06/2021

Com o avanço das tecnologias relacionadas ao âmbito digital, em especial, com o surgimento dos telefones móveis, nasce também a dependência desses aparelhos, triste fenômeno, o qual é acentuado na juventude do país. Nesse sentido, é importante que o debate coletivo empenhe-se na análise da fragilidade dos vínculos sociais, enquanto complexo gerador, e da consequente desumanização do outro no que tange ao nocivo panorama em voga.

Diante dessa perspectiva, pode-se iluminar a questão com o conceito de liquidez social. Sobre isso, Zygmunt Bauman — sociólogo contemporâneo — versa, dizendo que as interações sociais do século XXI são fragilizadas em virtude da dificuldade que uma conexão real tem, se comparada a uma digital, visto que a última é mais efêmera e móvel. Em consonância, no contexto brasileiro, os jovens se tornam dependentes das tecnologias virtuais em função da inerente dificuldade que uma relação sólida apresenta. Logo, evidencia-se como fator causador a disfuncionalidade relacional da juventude, conjuntura inadmissível em um país que busca a coesão e convivência comunitária entre seus cidadãos.

Além disso, é elementar notar como a dependência dos aparelhos cibernéticos contribui para o afastamento do outro. Nesse limiar, o pedagogo social Cèlestin Freinet faz grande contribuição no estudo do comportamento humano ao perceber que, para se construir um vínculo saudável, as pessoas necessitam notar o outro de forma sensorial. Dessa forma, a conexão pelos meios digitais vai contra o que foi teorizado, não sendo capaz de garantir o que Freinet dita como fundamental, uma vez que, tornando-se mera abstração virtual, o outro é despersonificado. Portanto, para que sejam criadas relações harmônicas, a dependência digital dos mais novos deve ser combatida.

A partir do que foi exposto, medidas devem ser tomadas para enfrentar o percalço. Para tanto, o Ministério da Cidadania, por meio de aportes do governo federal, deve promover ações publicitárias, as quais serão divulgadas nas escolas, que desincentivem o uso exagerado de tecnologias digitais pelos jovens. Tendo em conta o imenso poder transformador das propagandas, espera-se, por conseguinte, que a dependência supracitada seja mitigada e a juventude do Brasil possa se vincular de forma humana, pondo em prática o que priorizou Cèlestin Freinet.