Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 30/07/2021

Em sua obra “1984”, o autor George Orwell descreve uma sociedade distópica na qual todos são vigiados por “telemonitores”, máquinas utilizadas por um governo ditatorial para alienar a população. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, os jovens estão constantemente expostos a eletrônicos, que, com o desenvolvimento tecnológico, são cada vez mais difundidos e úteis para o cotidiano. Contudo, o uso desses aparelhos pode deixar de ser benéfico quando se torna uma dependência, o que é ocasionado pela falta de informação sobre o assunto e representa para o indivíduo um prejuízo em diversas áreas, na medida em que o aprendizado e a vida social são negligenciados em prol da utilização de dispositivos e aplicativos. Logo, fica evidente que essa questão deve ser discutida.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o uso de celulares ou de jogos de computador por períodos prolongados, por exemplo, pode provocar estresse e insônia, situações que afetam diretamente o desempenho acadêmico, além de gerar distrações nos ambientes de estudo. Somado a isso, no momento em que essas atitudes se tornam constantes, pode-se desenvolver a nomofobia, que consiste no medo incontrolável de não ter acesso a nenhum meio digital e configura um vício. Portanto, o papel da mídia na divulgação desse transtorno é fundamental para que as pessoas sejam conscientizadas sobre suas consequências negativas.

Ademais, é notório que os jovens muitas vezes deixam de interagir pessoalmente uns com os outros e se isolam por conta do mundo virtual. Sob essa ótica, é possível afirmar que essa realidade reflete a modernidade líquida, conceito criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, na medida em que recompensas instantâneas são priorizadas em detrimento a relações reais e profundas. Do mesmo modo, perfis criados nas redes sociais frequentemente não correspondem à vida real, o que destaca a superficialidade das interações e dificulta o desenvolvimento interpessoal a partir do convívio com outras pessoas. Em síntese, constata-se que a falta de sociabilidade oriunda dessa adição a eletrônicos é danosa, e é importante atentar-se para essa questão.

Isto posto, fica claro que a tomada de medidas que visem a diminuição da dependência digital entre os jovens é necessária. Para isso, é preciso que o Ministério da Educação veicule campanhas midiáticas na televisão aberta, em horário nobre, que alertem aos pais e responsáveis sobre os impactos negativos do uso excessivo de aparelhos celulares e tablets sobre a vida de crianças e adolescentes, como um rendimento acadêmico precário e prejuízos em seus relacionamentos, de maneira a incentivar a adoção de novos hábitos, como a leitura. Dessa forma, o problema em análise será evitado e, em contraste à obra escrita por Orwell, os jovens não estarão sujeitos às máquinas.