Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 06/08/2021
Segundo a filosofia grega hedonista, o prazer é o bem supremo da vida humana. Analogamente, na contemporaneidade, é possível associar ao conceito supracitado a dependência digital dos jovens, tendo em vista a busca constante pela satisfação de desejos fundamentada no uso exagerado das tecnologias. Sendo assim, é preciso analisar o papel da família no agravamento dessa problemática, as consequências negativas desse mau para a saúde e o desenvolvimento dos imberbes e as possíveis soluções para o infortúnio.
A priori, é válido citar que a falha da família em moderar a utilização de dispositivos eletrônicos desde a tenra idade é um fator causador da dependência. Nessa perspectiva, o sociólogo Émile Durkheim estabelece que o ser humano não reproduz ações individuais, pois tudo possui influência do coletivo. Nesse sentido, é viável relacionar esse pensamento ao poder do vínculo familiar como influenciador da compulsão, uma vez que tanto o mau exemplo dos pais no emprego das tecnologias quanto à falta de regulação dessa prática entre os filhos adolescentes convergem na intensificação do fenômeno vicioso. Dessa forma, é inegável a inevitabilidade de melhorias nessa esfera.
A posteriori, vale também ressaltar que a saúde e o desenvolvimento dos jovens são prejudicados pela obsessão digital. Nesse contexto, Jean Twenge, professora de Psicologia da Universidade de San Diego, nos EUA, realizou uma pesquisa, em 2018, na qual constatou que quanto mais tempo a “Geração Smartphone” passa em frente às telas, maiores os níveis de infelicidade, ansiedade, depressão e solidão. Além disso, a pesquisadora observou um amadurecimento tardio, a chegada à universidade e ao mundo do trabalho com dificuldade na tomada de decisões e uma enorme dependência na realização de tarefas. Assim, evidencia-se a necessidade de mudança nessa realidade. Cabe, portanto, às secretarias municipais de assistência social, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, realizarem conversas com pais e filhos, por meio de visitas domiciliares, a fim de sensibilizar os genitores sobre a importância de controlar o tempo de uso do celular dos jovens e, dessa maneira, usufruir do laço familiar para efetivar ações positivas. Compete ainda ao Ministério da Educação, associado às escolas públicas e privadas, efetuarem campanha informativa a respeito dos perigos da dependência digital para a saúde e o progresso juvenil, com o intuito de despertar no público púbere o cuidado ao manusear os aparelhos eletrônicos e levá-los a priorizar o bem estar físico e emocional. Por fim, com o cumprimento das medidas propostas, indubitáveis avanços seriam possibilitados.