Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 08/08/2021
O que a guerra às drogas durante o século XX inteiro, a lei seca imposta pelos EUA na década de 20 e o banimento dos cassinos durante o governo Dutra têm em comum? Todas essas ações foram esforços governamentais contra os vícios. Apesar de nenhum destes ter sumido das sociedades humanas, um muito pior pode ter emergido durante a era digital, aquele ligado aos celulares, que é capaz de fazer reféns mais facilmente do que drogas, álcool e jogo. Isso se deve ao fato da internet ser uma eficaz válvula de escape para problemas sociais ou psicológicos, o que reflete negativamente na vida de jovens, resultando inclusive em quadros clínicos graves. A discussão desses problemas precisa ser mais difundida para que eventualmente eles possam ser contidos
A princípio, é necessário entender que a internet é uma das maiores fornecedoras de entretenimento para crianças e adolescentes e é, portanto, responsável por atrair muito da atenção desses indivíduos. Logo, é racional pensar que durante a pandemia de COVID-19, onde boa parte das pessoas sofreu diversas perdas materiais e pessoais, houve um aumento significativo na busca por formas de aliviar o sofrimento, sendo a principal delas, o uso de eletrônicos. É isso que demonstra dados registrados pela empresa de tecnologia Akamai, que mostram um aumento de 112% no uso de internet no Brasil durante o período. Esses dados revelam como a fragilidade emocional, proporcionada pela pandemia, influenciou no agravamento da subordinação às telas.
Outrossim, o cárcere virtual experimentado pela população mais jovem representa, também, uma porta de entrada para diversos outros problemas. Desde junho de 2018 a Organização Mundial de Saúde reconhece a dependência digital como uma doença, esta que está atrelada a nomofobia, o medo irracional de estar sem o celular, angústia, irritabilidade, falta de disposição e alterações severas no humor. Percebe-se então o perigo que o uso de aparelhos eletrônicos representam na vida desses indivíduos.
Por fim, salienta-se a importância das entidades públicas e familiares para a mitigação das causas e consequências da problemática apresentada. É dever das escolas o desenvolvimento de estratégias para a educação das pessoas, especialmente de pais e responsáveis, em relação ao uso consciente e controlado da internet, através de aulas exclusivas sobre o tema, palestras e projeto sociais, além da atuação da família para que o conhecimento seja aplicado dentro de casa. Somente desta maneira, os jovens poderão ser auxiliados no combate a um dos vícios mais perigosos da atualidade.