Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 23/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, assegura a todos os indivíduos o direito à saúde mental. Nesse sentido, no que se refere à dependência digital dos jovens nos dias de hoje, tal direito não tem sido assegurado, uma vez que prejudica o desenvolvimento social dos adolescentes, já que eles preferem os aparelhos eletrônicos a se socializar com pessoas. Sendo assim, alguns deles podem sofrer com problemas psicológicos devido ao constante afastamento do convívio com pessoas, o que acaba por impedir seu modo de vida pleno. Desse modo, observa-se um delicado problema que tem como causas o silenciamento e a má influência midiática.

Em primeiro plano, o silenciamento é um entrave no que tange ao problema. Nesse contexto, isso pode ser explicado por meio da Teoria da Ação Comunicativa, do filósofo Habermas, ao afirmar que o debate é uma verdadeira forma de ação. Diante dessa perspectiva, para resolver tal problemática, faz-se necessário debater sobre as consequências da dependência digital dos jovens como problemas na socialização nas áreas pessoais, familiares e educacionais e a mudança de comportamento repentina, causadas pelo uso excessivo de celulares e jogos, a fim de alertar a população dos riscos à integridade mental e física dos indivíduos, porém percebe-se uma falha no que se refere a essa questão que ainda é muito silenciada, o que contribui para a naturalização do problema. Assim, urge tirar essa problemática da invisibilidade para atuar sobre ela.

Ademais, a má influência midiática é um desafio que influi decisivamente na consolidação do problema. Dessa forma, tal perspectiva pode ser explicada segundo o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Em virtude disso, tal afirmação comprova que as mídias sociais, em vez de promover debates que estimulem a socialização e a diminuição do uso de qualquer aparelho que atrapalhe no desenvolvimento pleno do jovem, influencia na consolidação do problema, que com propagandas e publicações, desperta o desejo dos indivíduos em utilizar o celular e jogos. Logo, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro é urgente.

Destarte, torna-se indispensável a elaboração de medidas com o intuito de gerar políticas que amenizem o cenário das consequências da dependência digital sobre a saúde mental dos brasileiros no mundo contemporâneo. Portanto, o Poder Legislativo deve, por meio de verbas públicas, criar leis que proíbam o uso de jogos e computadores por pessoas menores de 18 anos a um número limitado de horas por dia, a fim de garantir a integridade mental dos mesmos, bem como estimular a socialização com outras pessoas. Dessa forma, espera-se frear tal problemática.