Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 27/10/2021

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, a humanidade, na atualidade, demonstra as mesmas conotações no que se refere à dependência digital dos jovens. Nesse sentido, emerge um problema complexo, que tem como causa a formação familiar e exibe consequências no desenvolvimento global dos adolescentes.

Convém ressaltar, a princípio, que a criação dos jovens dentro de casa é uma causa latente na questão. Conforme Mario Sergio Cortella, educar é papel da família. Sob essa lógica, compreende-se que falhas no ensinamento doméstico corrompem a função desempenhada pelos pais, por exemplo, a alta exposição a eletrônicos desde a primeira infância e o uso de aparelhos digitais por crianças e adolescentes sem supervisão paterna. Dessa maneira, propicia-se a constituição de indivíduos com comportamentos desregrados no que se refere à utilização de celulares, de jogos e de redes sociais, gerando compulsões semelhantes às de um dependente químico. Desse modo, vê-se que mudanças drásticas são vitais para a atenuação desse impasse.

Além disso, uma notória consequência enfrentada é o insalubre amadurecimento dos jovens hiperconectados. Segundo o empresário norte-americano Steve Jobs, “a tecnologia move o mundo”. Entretanto, o acesso constante a uma gama exageradamente variada de equipamentos digitais, num mundo guiado pelas novas tecnologias (como os “smartphones”), provoca sérios impactos na saúde dessas pessoas ainda em desenvolvimento, tais quais ansiedade por uso excessivo ou por abstinência, falta de autocontrole na organização de tarefas e prejuizos nas habilidades de socialização. Assim, trazer à pauta este ponto e discuti-lo amplamente aumentaria a chance de atuação para a resolução do problema.

Logo, repara-se que medidas estratégicas são essenciais para alterar a conjuntura atual. Portanto, a OMS deve criar uma cartilha instruindo as famílias sobre como realizar o uso responsável de aparelhos eletrônicos, por meio da criação de uma comissão formada por psicólogos e por psiquiatras, a fim de extinguir a dependência digital dos jovens. Tal ação pode contar, ainda, com a divulgação nas redes sociais da “#usoconsciente” para atingir mais pessoas. Feito isso, será possível testemunhar a construção de um mundo melhor.