Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 09/10/2022

No filme “Wall-e”, é retratado um cenário onde a humanidade regrediu devido ao

vício em aparelhos digitais, que passou a prejudicar o desenvolvimento das pesso-

as. Fora da ficção, o Brasil aparenta ter um futuro semelhante, já que a dependên-

cia digital, especialmente entre os jovens, tornou-se um problema consolidado na

sociedade hodierna, principalmente em virtude de seu contexto sociocultural.

Mormente, convém conceituar as diferentes esferas do problema a partir das particularidades do uso de dispositivos digitais. Em seu livro “O dilema do porco-espinho”, o historiador Leandro Karnal aborda isso ao fazer um paralelo com a analogia de Schopenhauer, que descreve o dilema do uso de redes sociais, por exemplo, que podem incentivar e inibir a sociabilidade simultaneamente. Ao usar um celular, por exemplo, para manter contato com um amigo ou familiar distante, a pessoa pode estar, paralelamente, privando-se de conviver com pessoas em seu entorno. Logo, torna-se complexo definir em quais situações isso é prejudicial.

Ademais, o panorama cultural acerca do tema deve ser considerado. Com a re-

cente ampliação do acesso aos aparelhos digitais e à internet, houve mudanças

comportamentais evidentes, que certamente influenciarão as gerações futuras. Ao

inserir indivíduos no mundo digital já na infância, e difundir seu uso para diferentes

fins em casa, na escola e no trabalho, a sociedade fomenta um fator social que, se-

gundo Émille Durkheim, é quando o comportamento coletivo molda o do indivíduo.

Assim, em um ambiente de normalização do contato excessivo com mídias digitais, há um condicionamento ao desenvolvimento de uma depêndencia, que deve ser

evitada.

Portanto, é evidente que tais entraves devem ser solucionados. Para isso, cabe ao

Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, realizar campanhas publicitárias de conscientização sobre o tema, por meio de anúncios vinculados nas principais redes sociais e demais canais de comunicação do Gover-

no Federal, que alertem a população sobre os riscos e sintomas dessa dependência entre jovens. Aliado a isso, devem ser realizadas palestras por psicólogos do Sistema Único de Saúde em escolas de ensino médio, a fim de ofertar orientação e acolhimento para os jovens que encontram-se dependentes.