Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 08/11/2022

Segundo Émile Durkeim, sociólogo francês, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Seguindo essa linha de raciocínio, observa- se que um ambiente patológico em crise rompe toda a harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progresso coletivo. Infelizmente, no Brasil, existem diversas dessas situações de disfunção, dentre elas, a dependência digital dos jovens. Faz- se, então, pertinente debater acerca de tal assunto, considerando a inoperância estatal e suas consequências.

De início, há de se constatar a ineficaz ação do Poder Público enquanto mantenedora da problemática. Acerca disso, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende o dever do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro com a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em relação a significativa quantidade de pessoas que entram em estado de pânico ao saírem das telas, pois tiveram acesso descontrolado a essa forma de liberar dopamina (um dos hormônios da felicidade) e não conseguem mais deixar o vício.

Em segundo plano, conforme Nicolau Maquiavel, no livro “O príncipe”, para se manter no poder o governo se propõe à obrigação de operar e ter como objetivo o bem universal. Em contra partida o estudo britânico realizado pelo King’s College, de Londres, que afirma que apenas 3 a cada 4 jovens não são dependentes digitais. Diante de tal exposto, observa-se que há grande dificuldade de inserção desse grupo de volta a escola e ao mercado de trabalho, à medida que não consegue foco para ser produtivo socialmente.Logo, é inadmissível que esse cenário perpetue.

Portanto, urge a alteração estrutural para que a mácula seja resolvida. Assim, cabe ao governo federal, na figura do Ministério da Educação, proporcionar o ensino de tecnologias digitais, a fim de alertar aos pequenos e aos seus pais sobre os riscos da exposição ilimitada de aparelhos eletrônicos, diminuindo criticamente o número de dependentes digitais. Tal programa deve ser custeado e aprovado pela Corte de Contas de cada estado, para entrar em vigor por meio da abertura de concursos públicos que determinarão quais professores serão selecionados. Por conseguinte, o elemento patológico, que Émile Durkeim prevê, seria resolvido.