Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 22/09/2023

Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais relevantes da história recente, a Declaração dos Direitos Humanos cujo conteúdo garante o direito à saúde. Todavia, a dependência digital entre os jovens impede que a sociedade vivencie o direito assegurado pela ONU. Assim, há de se combater a falta de divulgação do tema pela mídia e a omissão estatal.

Diante desse cenário, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o nada”, que existe um conceito conhecido como “Acomodação social”, segundo o qual há alguns temas banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca das causas e consequências da dependência digital dos jovens, é causada pela pouca abordagem sobre o tema pela mídia, pois ao invés de ressaltar o impacto negativo do uso em excesso de aparelhos celulares, principalmente, na saúde mental - isolamento social, ansiedade, depressão-, a mídia está ocupada com notícias que trarão mais “engajamento”. Tal negligência, prejudica a sociedade em geral, haja vista a conturbação do Sistema Único de Saúde.

Ademais, a omissão do Estado motiva indiretamente a persistência da dependência digital. Nesse aspecto, Norberto Bobbio - expoente filósofo italiano- afirma que as autoridades devem ofertar os benefícios das leis e também garantir que a população usufrua delas, na prática. Sob essa lógica, o Estado precisa criar políticas que assegurem a saúde dos jovens, impondo um tempo limite de uso de telas para essa população, como já realizado em alguns países do Oriente,

garantindo assim, que os benefícios das leis sejam vivenciados pela sociedade. A falta de iniciativa estatal, fica evidente pela ausência de políticas públicas sobre este tema.

É urgente, portanto, que o Ministério da Saúde, juntamente com as escolas -responsáveis pela transformação social- e a mídia, contribuam com uma maior divulgação das causas e consequências da dependência digital, através de projetos sociais, como palestras educacionais ministradas por profissionais de saúde capacitados e cobertura da mídia nacional. Essa iniciativa, terá a finalidade de mobilizar o Estado a criar políticas públicas incisivas sobre o tema, e de garantir que o conceito da ONU seja, em breve, realidade no Brasil.