Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 17/10/2023
A série de televisão “Black Mirror” retrata uma sociedade integralmente dependente do meio digital. O cenário apresentado pela produção cinematográfica —apesar de parecer distante — é uma realidade na vida dos jovens brasileiros. Esse panorama origina-se na inoperância estatal e tem como consequência graves comprometimentos no desenvolvimento social e cognitivo de crianças e adolescentes.
De início, há de se constatar a débil ação do poder público como origem da problemática. Acerca disso, o filósofo inglês John Locke, em sua proposta de contrato social, defende o dever do estado de proporcionar o bem-estar da população. As autoridades, contudo, vão de encontro com o proposto por Locke, uma vez que possuem papel inerte em relação ao uso indiscriminado de tecnologias digitais, o que leva à dependência. Logo, é notório que a omissão do Estado acarreta o problema.
Ademais, é fundamental atentar para as consequências da dependência digital dos jovens. A esse respeito, segundo pesquisadores britânicos do King`s College, aproximadamente 25% dos jovens apresentam vício em smartphone, refletido em ansiedade ao não poder usar o aparelho, bem como em má gestão do tempo gasto com o dispositivo. Além disso, essa dependência causa prejuízo significativo nos âmbitos social e escolar — segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Desse modo, é imprescindível que se combata a dependência digital na contemporaneidade.
Depreende-se, portanto, que é mister a atuação governamental para solucionar o óbice no Brasil. Assim, a fim de reduzir o tempo gasto, no meio digital, por crianças e adolescentes, cabe ao Ministério das Comunicações desenvolver um programa nacional de que, por meio de um software instalado em todos os dispositivos registrados no país, monitore as idades dos usuários, estabelecendo um limite de horas diário para cada faixa etária e que, após ultrapassado esse limite, a conexão dos aparelhos seja bloqueada. Dessa forma, o vício em dispositivos digitais poderá ser controlado e o brasil viverá um cenário diferente do retratado em “Black Mirror”.