Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 20/08/2026
Na obra “O Jogador” , de Fiódor Dostoiévski, é retratada a dependência em relação aos jogos de azar, mostrando como a busca pelo lucro pode comprometer a auton- omia do indivíduo. Fora da ficção, essa problemática permanece atual no Brasil, di- ante da expansão das plataformas de apostas e de seu fácil acesso. Nesse cenário, torna-se necessário fortalecer a fiscalização estatal e ampliar a conscientização so-
bre os riscos do jogo compulsivo.
Em primeiro lugar, a insuficiente fiscalização da publicidade das apostas dificulta a proteção da população. Nesse sentido, o conceito de “sociedade de consumo”, de Zygmunt Bauman, evidencia como estratégias publicitárias estimulam desejos e comportamentos. Tal lógica é observada nas plataformas de apostas, que utilizam redes sociais e celebridades para associar o ato de apostar a sucesso e enriqueci-mento. Ao destacar possíveis ganhos e minimizar riscos de perda e dependência, essas campanhas criam uma falsa ideia de lucro fácil, especialmente entre indivídu-os mais vulneráveis à influência digital. Assim, a fiscalização insuficiente contribui para a banalização das apostas.
Além disso, os impactos financeiros dos jogos de azar são graves entre famílias vulneráveis . Segundo Amartya Sen, a pobreza envolve não apenas a falta de renda, mas também a privação de capacidades necessárias a uma vida digna. Sob essa perspectiva, quando pessoas de baixa renda destinam recursos destinados a nece-ssidades básicas às apostas, comprometem sua subsistência. Como consequência, perdas financeiras podem gerar endividamento e instabilidade familiar, aprofunda-ndo desigualdades sociais. Logo, a expansão das apostas, quando associada à vulnerabilidade econômica, constitui um problema social.
Portanto, cabe ao Poder Executivo, em parceria com órgãos reguladores, fiscalizar a publicidade das apostas, monitorando plataformas digitais e punindo por meio de multas as propagandas que omitam seus riscos. Paralelamente, o Sistema Único de Assistência Social deve promover ações de educação financeira, especialmente entre famílias vulneráveis, mediante campanhas de conscientização sobre os riscos do endividamento. Assim, será possível reduzir os impactos sociais das apostas e impedir que a busca pelo lucro deteriore a autonomia da população.