Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
A Constituição de 1988 (Art.1°III) estabelece a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República e assegura a proteção dos cidadãos. Entretanto, a crescente dependência em apostas on-line evidencia um cenário contrário a esse princípio, uma vez que o avanço dessas plataformas tem provocado prejuízos financeiros e psicológicos à população. Nesse contexto, a publicidade enganosa promovida por influenciadores digitais e a insuficiência da atuação estatal no combate à ludopatia atuam como fatores que intensificam esse problema no Brasil.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que a busca por enriquecimento fácil, estimulada pelo marketing agressivo, favorece a compulsão por apostas virtuais. Segundo o filósofo Byung-chul Han, em “Sociedade do cansaço”, o indivíduo é pressionado pela busca por produtividade e recompensas imediatas. Nesse sentido, “empresas de bets” utilizam influenciadores para divulgar contas demonstrativas, criando uma falsa impressão de que vencer é simples. Como consequência, sobretudo os jovens desenvolvem expectativas irreais de ascensão financeira e comportamentos compulsivos.
Ademais, é fundamental analisar os impactos socioeconômicos e mentais desse vício. Na literatura, o romance “O Jogador”, de Fiódor Dostoiévski, retrata a ruína moral financeira provocada pela compulsão ao jogo. Fora da obra literária, a realidade brasileira apresenta cenário semelhante, visto que o avanço das apostas on-line contribui para o endividamento familiar e para o agravamento da saúde mental. Dessa forma, rompem-se laços afetivos e amplia-se a pressão sobre o bem-estar público.
Portanto, há a necessidade de medidas para conter essa problemática. Assim, cabe ao Governo Federal proibir a divulgação de simulações enganosas e estabelecer avisos de risco nas plataformas digitais, por meio de regulamentação publicitária, em articulação com a Secretária de Prêmios e Apostas e órgãos competentes. Ademais, o SUS deve ampliar o atendimento psicológico a pessoas afetadas pela ludopatia. Assim, será possível proteger as famílias e garantir os direitos constitucionais.