Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
Na obra “1984”, George Orwell descreve uma sociedade vigiada e manipulada por estímulos constantes. Tal distopia aproxima-se da realidade brasileira atual, marcada pela proliferação das casas de apostas on-line, as “bets”. O que se apresenta como entretenimento revela-se um grave problema de saúde pública, impulsionado pela vulnerabilidade social e pela exploração do desejo de enriquecimento rápido, cujas consequências afetam a saúde mental e a estrutura familiar.
Em primeira análise, a causa do vício reside na combinação entre precariedade econômica e marketing predatório. Em um cenário de desemprego e instabilidade, como o visto nos últimos anos, muitos brasileiros enxergam nas plataformas digitais uma alternativa ilusória de renda. Essa fragilidade é explorada por influenciadores que exibem ganhos exorbitantes e rotinas de luxo, utilizando inclusive contas demonstrativas que sempre resultam em vitória. Com design colorido, linguagem infantilizada e acesso na palma da mão 24 horas por dia, jogos como o do “Tigrinho” transformam a aposta em um hábito compulsivo, especialmente entre jovens de 16 a 34 anos, faixa etária mais atingida.
Em consequência, os danos são severos e multidimensionais. Do ponto de vista neurológico, a aposta constante ativa o circuito de recompensa do cérebro com liberação de dopamina, gerando excitação a cada ganho e anulando a percepção de risco, mecanismo similar ao de outras dependências químicas. Socialmente, o reflexo é a desestruturação financeira e afetiva: dados apontam que cerca de 15% da população já apostou e que o gasto médio compromete 20% do salário mínimo.
Portanto, é imperativo superar esse quadro. Cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Fazenda em articulação com a Anatel, regulamentar de forma rígida o funcionamento das bets, determinando a retirada do ar de plataformas clandestinas e a responsabilização de quem promove propaganda enganosa.