Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
A obra “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo Guy Debord, expõe como as relações humanas passaram a ser mediadas pela busca constante por entretenimento e consumo. Na contemporaneidade brasileira, essa reflexão se aplica diretamente ao crescimento expressivo dos jogos de apostas on-line, cujas promessas de ganhos rápidos atraem milhões de pessoas. Nesse cenário, a dependência nesses jogos consolida-se como um sério problema socioeconômico, impulsionado pela publicidade ostensiva e gerando graves impactos na vida financeira e mental dos cidadãos.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar o papel do marketing digital na perpetuação desse vício. Diariamente, diversos influenciadores digitais promovem plataformas de apostas exibindo estilos de vida luxuosos e vitórias constantes, ocultando os riscos reais envolvidos. Essa abordagem atinge de forma direta um público vulnerável, composto em grande parte por jovens que buscam uma alternativa rápida de melhoria financeira. Como consequência, a facilidade de acesso aos aplicativos por meio dos smartphones potencializa o comportamento compulsivo e introduz milhares de novos usuários diariamente nesse ciclo.
Além disso, as consequências decorrentes dessa dependência afetam diretamente a estrutura familiar e a saúde do indivíduo. A ludopatia, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um transtorno do jogo, faz com que a pessoa tente recuperar sucessivas perdas financeiras realizando apostas cada vez maiores. Esse comportamento resulta em um superendividamento crítico, comprometendo a renda essencial da família e gerando transtornos graves, como ansiedade, depressão e isolamento social, transformando uma busca por lazer em um colapso pessoal.
Portanto, medidas são urgentes para conter os impactos desse problema na sociedade. O Ministério da Fazenda, em conjunto com o Ministério da Saúde e o CONAR, deve regulamentar rigorosamente a veiculação de anúncios de apostas na internet, impondo limites à atuação de influenciadores e exigindo alertas explícitos sobre os riscos de vício.