Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito fundamental à saúde e ao bem-estar social. No entanto, a crescente dependência em jogos de apostas on-line evidencia um contraste direto com essa garantia. Diante disso, cabe analisar os fatores que alimentam esse problema: a ostentação promovida por influenciadores digitais e a falta de uma fiscalização rígida sobre essa publicidade virtual.

Em primeiro lugar, vale destacar o impacto direto das redes sociais no crescimento das apostas digitais. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporãnea é marcada pelo desejo imediato de consumo e pela busca constante por validação. Sob essa ótica, a divulgação ostensiva de jogos por figuras de grande alcance na internet constrói uma falsa ideia de lucro fácil, atraindo principalmente os jovens. Como consequência, o indivíduo é induzido ao vício sob a promessa de enriquecimento rápido, o que gera graves prejuízos financeiros.

Ademais, a ausência de mecanismos efetivos de fiscalização estatal agrava a disseminação da ludopatia - a compulsão por jogos. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar e a segurança dos cidadãos. Contudo, como essas plataformas são fáceis de acessar e estão sempre sendo divulgadas na internet, fica claro que falta proteção à saúde mental do consumidor. Desse modo, aumentam os casos de endividamento crítico, ansiedade e problemas familiares decorrentes do vício compulsivo.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar as causas e os impactos do vício em apostas virtuais no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Fazenda, em conjunto com Ministério das Comunicações, regulamentar e fiscalizar rigorosamente as campanhas publicitárias de plataforma de aposta. Essa medida deve ocorrer por meio de leis que proíbam propagandas enganosas de influenciadores e fixem limites de valores para as apostas. Apenas assim será possível colocar em prática os direitos grantidos pela Constituição e proteger o bem-estar financeiro e emocional dos brasileiros.