Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
Em julho de 2026,novas regras para a publicidade de apostas de quota fixa passaram a exigir advertências explícitas sobre os riscos financeiros desse mercado, entre elas a mensagem “Aposta não é investimento”. No cenário brasileiro, a necessidade desse alerta evidência um problema crescente: plataformas digitais transformam o ato de apostar em uma prática acessível a qualquer hora e frequentemente associada à promessa de ganhos rápidos. Nesse sentido, os impactos da prática excessiva de apostas on-line no endividamento das famílias brasileiras são intensificados tanto pela normalização midiática das bets quanto pela insuficiência da educação financeira da população.
Sob essa ótica, convém analisar, inicialmente, a influência da publicidade na normalização das apostas como forma de entretenimento e possibilidade de enriquecimento. Nesse contexto, a Lei n°14.790/2023, responsável por regulamentar as apostas de quota fixa no Brasil, proíbe propagandas que apresentem o jogo como alternativa ao emprego, solução para problemas financeiros ou forma de investimento. Entretanto, a presença constante de marcas de bets em transmissão esportivas, redes sociais reduz a percepção dos riscos. Assim, indivíduos em vulnerabilidade veem os depósitos como renda extra e, após perdas, tentam recuperar o valor, comprometendo o orçamento familiar. Ademais, a falta de educação financeira agrava o cenário. No filme “Até que a sorte nos separe”, a família do protagonista perde tudo por má gestão, mostrando que ter recursos não garante sabedoria ao administrá-los. Na realidade, a facilidade de apostar no telemóvel leva ao endividamento e ao uso de empréstimos.
Portanto, medidas são urgentes. A secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda deve intensificar a fiscalização da publicidade digital e punir abusos. Paralelamente, o Ministério da Educação deve promover ações de educação financeira nas escolas sobre o orçamento e riscos dos jogos.