Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Apostadores cada vez mais jovens estão procurando ajuda para tratar a compulsão por jogos.

Grupo J.A. (Jogadores Anônimos) reúne pessoas que contam os problemas ocasionados pelas apostas. O UOL esteve em um encontro virtual, com cerca de 60 participantes de diversas regiões do Brasil, e ouviu histórias de jogadores que perderam contato com familiares, assumiram grandes dívidas e até pensaram em suicídio. “Conheci [o jogo] por um influencer”, diz um deles. “Com todos esses influenciadores é difícil manter a distância”, comenta outro.

O perfil mais frequente em apostas on-line é jovem e masculino. Segundo o Datafolha, 30% dos jovens de 16 a 24 anos e 25% das pessoas entre 25 e 34 anos relataram já ter feito alguma aposta pela Internet. 15% de toda a população diz ter apostado pelo menos uma vez. A média de gastos do brasileiro com esse tipo de atividade corresponde a 20% do salário mínimo. “Perdi o contato com meu filho por causa disso. Parei de pagar pensão e assumi dívida com agiota, que me cobra até hoje. Me vi numa situação que era melhor me matar e tentei suicídio.” R., 27 anos, em depoimento ao grupo.

R. enviou o filho, de 8 anos, para morar com parentes em outro estado por conta do seu vício. Ele conta que, “quando aceitou que era fraco perante o jogo, tudo mudou” e passou a frequentar o J.A. Diariamente, de duas a três pessoas procuram ajuda do J.A. por vício em jogo — a ludopatia. Segundo o grupo sem fins lucrativos, com a expansão dos sites de apostas on-line, o número de jogadores que enfrentam o vício também cresceu. “Houve uma explosão no número de pessoas com problemas com jogo. Já aconteceu até de menores de idade, de forma isolada, procurarem o grupo”. Gr