Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Na canção “Que País é Este”, da banda Legião Urbana, o compositor Renato Russo critica a permanência de problemas estruturais e a falta de efetividade dos direitos humanos no Brasil. Fora da ficção musical, a conjuntura reflete essa indignação, haja vista a persistência das causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line. Trata-se de um desafio impulsionado pela omissão estatal e pela indiferença social.

Em primeira análise, a omissão do Estado perpetua o problema. Conforme o conceito de “Cidadão de Papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, a legislação brasileira é avançada no papel, mas falha gravemente na prática, gerando uma cidadania ineficaz. Sob essa ótica, a falta de fiscalização rigorosa por parte do poder estatal sobre as plataformas de apostas e a ausência de regulamentação efetiva da publicidade predatória de influenciadores fazem com que a dependência em jogos de apostas on-line permaneça sem uma solução definitiva. Assim, negligencia-se a proteção à saúde mental e financeira.

Ademais, a indiferença do corpo social intensifica o cenário de vulnerabilidade. Conforme a teoria da “Banalidade do Mal”, formulada pela filósofa Hannah Arendt, quando uma prática prejudicial ocorre de forma repetida, ela passa a ser vista como normal e aceitável pela população, perdendo seu caráter de urgência. Nesse sentido, a glamourização do lucro imediato e a ausência de educação financeira nos lares e nas escolas contribuem para a invisibilidade do vício ,fomentando colapso econômico familiar e problemas psicológicos.

Portanto, medidas urgentes são necessárias para mitigar esse cenário de descaso. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério das Comunicações, promover campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas on-line, por meio de palestras sobre educação financeira e saúde mental nas escolas e nas mídias. Ademais, o Governo Federal deve fiscalizar as plataformas e garantir apoio psicológico via SUS, a fim de garantir a justiça social e a efetivação dos direitos humanos.