Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

O avanço das plataformas de apostas online como o popular “Jogo do Tigrinho” tem transformado o lazer em um grave problema de saúde pública no Brasil. Conforme o Grupo J.A. (Jogadores Anônimos) com mais de 50 participantes o perfil mais afetado é de jovens entre 16 e 34 anos que iludidos pela promessa de dinheiro fácil desenvolvem transtornos de ansiedade endividamento e em casos extremos ideação suicida.

Em primeiro lugar é preciso destacar o papel dos influenciadores digitais na disseminação desse vício. Como aponta o Texto II a Delegacia de Estelionato de Maceió identificou que esses influenciadores utilizam contas demo com saldo fictício de R$ 500 para simular ganhos e atrair seguidores. A vítima J.A. que perdeu o dinheiro da festa da filha e o caso da senhora M.G. que perdeu R$ 200 mil evidenciam a prática fraudulenta. Esses influenciadores ganham comissão sobre as perdas dos seguidores criando um ciclo perverso e exploratório que atinge até menores de idade.

Além disso a arquitetura viciante dessas plataformas potencializa a dependência. Segundo estudo recente da USP citado no Texto III o mecanismo de recompensa do cérebro diante do jogo é semelhante ao da dopamina liberada por drogas aumentando a excitação e diminuindo o medo de perder. Somado à facilidade de acesso pelo celular o jogo está sempre à mão. O resultado é o que se vê cerca de 2 milhões de viciados no país e filas de espera no ambulatório do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas que recebe 150 casos novos por ano.

Portanto percebe-se que o vício no Jogo do Tigrinho vai além da escolha pessoal e se tornou um problema social. Cabe ao Ministério da Justiça fiscalizar os influenciadores que fazem propaganda enganosa e bloquear os sites ilegais em conjunto com a Anatel. Além disso o Ministério da Saúde deve ampliar o atendimento psicológico para dependentes no SUS. Desse modo será possível reduzir os danos causados por essa prática.