Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

O avanço da dependência em jogos de apostas virtuais no Brasil reflete um sério problema de saúde pública e regulação digital. O acesso facilitado a plataformas de bets e o apelo ilusório de enriquecimento rápido têm desencadeado graves consequências socioeconômicas e psíquicas, exigindo medidas urgentes de intervenção estatal e social.

Em primeiro lugar, cabe analisar a publicidade enganosa como um dos principais fatores motores da ludopatia entre jovens. Impulsionadas por influenciadores digitais que exibem rotinas de ganhos irreais por meio de demonstrações manipuladas, essas apostas ganham roupagem de entretenimento inofensivo. Trata-se do fenômeno que o sociólogo Zygmunt Bauman conceitua como a busca por satisfações imediatas na modernidade líquida, em que o desejo de ascensão financeira rápida sobrepõe-se à percepção dos riscos financeiros, induzindo a população à armadilha do endividamento.

Além disso, as consequências desse vício extrapolam o âmbito individual e impactam a estrutura familiar e o sistema público. A perda expressiva da renda compromete o orçamento doméstico, levando cidadãos ao endividamento severo e até ao envolvimento com esquemas ilegais de crédito, como a agiotagem. Paralelamente, o sofrimento psíquico decorrente da compulsão gera quadros de depressão, isolamento e ideação suicida, sobrecarregando a rede de atenção psicológica do Sistema Único de Saúde (SUS) e desestruturando laços afetivos essenciais.

Portanto, faz-se imperativo mitigar as causas e os impactos da dependência em apostas on-line no país. Cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Secretaria de Prêmios e Apostas, intensificar a fiscalização sobre as plataformas de jogos e penalizar a publicidade fraudulenta promovida por influenciadores virtuais. Essa ação deve ser realizada mediante a proibição de contas demonstrativas enganosas e a exigência de avisos explícitos sobre os riscos de perda financeira em campanhas publicitárias. Ademais, o Ministério da Saúde deve ampliar o atendimento especializado para jogadores compulsivos nos Centros de Atençã