Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
Historicamente, o Brasil cultiva uma relação ambígua com os jogos de azar. Criado no final do século XIX para fins recreativos, o " jogo do Bicho" rapidamente se enraizou na cultura popular, transformando-se em contravenção e revelando a busca histórica das camadas vulneráveis por alternativas de escape financeiro. Na contemporaneidade, essa lógica foi redimensionada e potencializada pela expansão vertiginosa das plataformas virtuais de apostas, as chamadas bet, que garagem a dependência psicológica e o endividamento familiar na era digital.
Em primeiro lugar, a busca por dinheiro rápido encontra espaço na ideia de “modernidade líquida”, de Zygmunt Bauman, que fala sobre como a sociedade atual quer soluções imediatas para tudo. Antigamente, isso já acontecia com o “Jogo do Bicho”, mas hoje as plataformas digitais deixaram essa situação muito pior. Ao transformarem a aposta em uma diversão fácil no celular, essas empresas aproveitam a necessidade da população para lucrar, espalhando o vício e o endividamento sem nenhum controle.
Sob um viés filósofo, a dependência em jogos de azar remete ao Mito da Caverna de Platão. Assim como os prisioneiros confundiam sombras com a realidade, os apostadores são iludidos pelas plataformas com a falsa promessa de lucro fácil. Sem letramento financeiro e digital, permanecem presos nessa caverna algoritmica, sem enxergar a exploração por trás do jogo.
Portanto, é urgente que o Governo Federal, via Ministérios da Fazenda e da Saúde, endureça o bloqueio às bets irregulares, iniciado no governo Lula. Isso exige uma força-tarefa com provedores e bancos para derrubar sites clandestinos e bloquear transações. Além disso, a arrecadação e as multas devem financiar o tratamento da ludopatia no SUS, protegendo a saúde mental da população.