Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Em O jogador, de Fiódor Dostoiévski, as apostas dominam as decisões do protagonista. De forma análoga, no Brasil contemporâneo, a expansão dos jogos on-line favorece comportamentos compulsivos e a dependência, impulsionados por publicidades enganosas e pela insuficiência de medidas preventivas que provocam prejuízos financeiros, psicológicos e familiares.

Em primeiro lugar, destaca-se a influência da publicidade digital. Na obra A sociedade do espetáculo, Guy Debord analisa como as imagens moldam desejos e percepções. Sob essa perspectiva, influenciadores exibem supostas vitórias, transformando as apostas em símbolos de sucesso. Além disso, versões demonstrativas de algumas plataformas simulam ganhos expressivos que ocultam os riscos reais. Assim, a promessa de dinheiro rápido atrai principalmente jovens e compromete seu discernimento, favorecendo o hábito compulsivo.

Além disso, o funcionamento dessas plataformas estimula a repetição das apostas. O acesso permanente e a imprevisibilidade das recompensas dificultam o controle dos usuários. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os transtornos relacionados aos jogos de azar. Ao tentar recuperar valores perdidos, o jogador pode acumular dívidas, comprometer despesas essenciais e prejudicar relações familiares. Somam-se a isso a ansiedade e o sofrimento emocional, que ampliam os impactos sociais e a demanda por assistência pública.

Portanto, cabe ao Ministério da Fazenda, em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor, fiscalizar publicidades digitais, responsabilizando divulgadores de promessas enganosas e exigindo avisos de risco visíveis. Simultaneamente, o Minitério da Saúde deve ampliar o acolhimento psicológico pelo SUS, orientar famílias e divulgar canais de atendimento, enquanto escolas promovem educação financeira sobre os riscos das apostas. Dessa forma, será possível combater a dependência e evitar que a promessa de prosperidade, como em Dostoiévski, resulte na perda da autonomia.