Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde incluiu o “transtorno de jogos eletrônicos” na Classificação Internacional de Doenças, reconhecendo que o hábito de jogar pode deixar de ser lazer e se tornar um problema de saúde pública. No Brasil, esse fenômeno cresce em um contexto de hiperconectividade e de fragilidade dos vínculos sociais. Torna-se necessário, portanto, analisar as causas e as consequências dessa dependência, cada vez mais comum entre crianças, adolescentes e jovens.

Em primeiro lugar, a dependência em jogos online é impulsionada pela lógica da indústria do entretenimento digital. Recompensas aleatórias, missões diárias, rankings e as chamadas “caixas de loot” são mecanismos que estimulam a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer, e levam o jogador a buscar sempre mais uma partida. Além disso, a ausência de um final definido nesses jogos mantém o usuário em um ciclo contínuo de engajamento, de modo que o tempo de tela deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser induzido por estratégias comerciais cuidadosamente planejadas.

Em segundo lugar, fatores sociais e emocionais agravam o problema: segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pela “liquidez” das relações, cada vez mais frágeis e passageiras. Nesse cenário, o ambiente virtual surge como refúgio para indivíduos que enfrentam solidão, ansiedade, bullying ou conflitos familiares. Nos jogos, o sujeito encontra aceitação, reconhecimento e senso de pertencimento que nem sempre consegue obter no mundo real. Isso se soma à insegurança nos espaços públicos e a falta de opções de lazer acessíveis, que levam muitos jovens a permanecerem em casa diante das telas.

Portanto, para reduzir os prejuízos físicos, psicológicos e sociais dessa dependência, cabe ao Ministério da Saúde ampliar o atendimento psicológico nos CAPS, por meio da contratação de profissionais, a fim de tratar os jogadores. Ademais, o Legislativo deve limitar, mediante lei, as recompensas aleatórias dos jogos, para que o lazer não vire prisão.